Uma startup brasileira que nasceu de uma pergunta simples: por que é que agendar atividades outdoor ainda é tão complicado?

Quem já tentou marcar uma trilha, um passeio de barco, um mergulho ou uma experiência de aventura no Brasil provavelmente entende essa pergunta sem muita explicação. A busca começa no Google, passa pelo Instagram, vai para o WhatsApp, entra uma indicação de alguém, aparece um preço diferente, surge uma dúvida sobre o horário, e quando você percebe já está fazendo uma investigação digna de série policial só para reservar um passeio.

O mais curioso é que o problema quase nunca é falta de coisa boa para fazer. O Brasil tem experiências incríveis. O problema é que muitas delas ainda estão espalhadas, pouco organizadas e difíceis de encontrar com confiança. Foi nesse espaço que o Apollo começou a nascer.

A origem da ideia

O Apollo surgiu muito a partir da minha vivência viajando pelo Brasil e no mundo e buscando experiências ligadas à natureza. Em destinos como a Chapada Diamantina, Ilha Grande e tantas outras regiões, ficava claro que havia guias excelentes, operadores locais muito bons e atividades capazes de marcar uma viagem inteira.

Mas descobrir tudo isso nem sempre era simples. Muitas vezes, a melhor experiência estava escondida em um contato local, em uma conversa de pousada ou em um perfil de Instagram que você só encontraria se tivesse bastante paciência, sorte ou os dois. Para quem estava viajando, isso gerava insegurança. Para quem oferecia a experiência, gerava invisibilidade.

A primeira ideia foi quase intuitiva: e se existisse uma plataforma feita para organizar esse encontro entre quem quer explorar e quem faz o outdoor acontecer?

Só que ter uma ideia é a parte mais fácil. A parte difícil vem logo depois, quando você precisa convencer outras pessoas de que aquela inquietação merece tempo, energia e risco.

E se existisse uma plataforma feita para organizar esse encontro entre quem quer explorar e quem faz o outdoor acontecer?

Thiago Mattos, cofundador e CEO do Apollo.

O primeiro desafio foi encontrar gente para acreditar junto

Antes de pensar em app, tecnologia, marca ou qualquer coisa mais bonita, o primeiro desafio foi transformar uma frustração pessoal em uma visão compartilhada. Eu precisava encontrar pessoas que olhassem para o mesmo problema e pensassem: “isso aqui faz sentido, vamos tentar construir”.

No início, não existe muita coisa concreta. Existe uma ideia, algumas conversas, várias perguntas e uma vontade enorme de provar que aquilo pode funcionar. É quase como vender uma aventura antes de ter o mapa completo, o que combina bastante com o Apollo, para ser sincero.

Aos poucos, fui buscando pessoas com perfis complementares, gente de tecnologia, produto, arquitetura, comercial e operação, ou de tudo um pouco, que pudesse ajudar a transformar a ideia em algo real. Não era só sobre acreditar no turismo outdoor, mas sobre acreditar que esse mercado poderia ser mais organizado sem perder o lado humano e local que torna cada experiência especial.

Esse foi o primeiro grande passo do Apollo: deixar de ser apenas uma ideia na cabeça de uma pessoa e virar um projeto construído por um time.

A dor aparece dos dois lados

O Apollo nasce para resolver uma dor dos dois lados. De um lado está o explorador, assim chamamos, que pode ser um turista, um morador local ou qualquer pessoa querendo viver algo diferente. Essa pessoa quer descobrir uma atividade, entender o que está incluído, saber se o parceiro é confiável, reservar com facilidade e evitar perder horas juntando informações soltas.

Do outro lado estão os parceiros locais, como guias, instrutores, jangadeiros, condutores ambientais, agências pequenas e operadores independentes. Muitos fazem um trabalho excelente, conhecem o território como ninguém e entregam experiências autênticas, mas ainda dependem de WhatsApp, Instagram, indicação ou planilhas para organizar as atividades, gerir reservas e alcançar novos clientes.

O Apollo tenta aproximar essas duas pontas: quem quer viver uma aventura e quem sabe conduzir essa aventura com segurança, conhecimento e cuidado.

O Apollo tenta aproximar essas duas pontas: quem quer viver uma aventura e quem sabe conduzir essa aventura com segurança, conhecimento e cuidado.

Thiago Mattos, cofundador e CEO do Apollo.

O Brasil tem potencial, mas ainda precisa de mais organização

O Brasil é um país naturalmente outdoor. Temos praias, rios, trilhas, cachoeiras, serras, dunas, florestas, cânions, recifes e uma diversidade cultural que muda completamente de uma região para outra.

Mesmo assim, muita coisa ainda funciona de forma informal. Isso não significa que seja ruim. Pelo contrário, muitas das melhores experiências estão justamente com pequenos operadores e guias locais. O problema é que, quando tudo depende de contatos soltos, fica mais difícil para o viajante confiar e mais difícil para o parceiro crescer.

A nossa visão é que tecnologia pode ajudar sem transformar tudo em algo frio ou genérico. O guia continua sendo essencial, a cultura local continua sendo essencial e a paisagem continua sendo essencial. A tecnologia entra para tirar atrito do caminho, porque a aventura deve estar na trilha, no mar ou no rio, não no processo de tentar descobrir se o passeio ainda existe.

O que é o Apollo, na prática

O Apollo é uma plataforma que conecta exploradores a experiências outdoor com parceiros locais. A ideia é permitir que uma pessoa descubra, reserve e viva atividades ao ar livre de forma mais prática, segura e organizada.

Começamos com foco no Brasil, especialmente no Nordeste, onde o potencial para experiências ligadas à natureza é enorme. Estamos falando de passeios de jangada, buggy, mergulho, trilhas, experiências no interior, atividades no mar e outras vivências que mostram o destino de um jeito mais autêntico.

Para quem explora, o Apollo quer ser uma porta de entrada para descobrir o que fazer sem precisar abrir dez conversas diferentes. Para quem oferece, o Apollo quer ser uma ferramenta de crescimento, com mais visibilidade, reservas organizadas e, no futuro, recursos de gestão para agenda, disponibilidade, equipe e desempenho.

O MVP e a construção aos poucos

No mundo das startups, existe um termo muito usado: MVP. Ele significa Produto Mínimo Viável, ou seja, a primeira versão funcional de uma ideia. Não é a versão perfeita, nem a mais completa. É a versão que permite testar se o problema é real e se a solução faz sentido.

No caso do Apollo, o MVP foi importante porque nos obrigou a sair da teoria. Uma coisa é dizer “as pessoas querem reservar experiências outdoor com mais facilidade”. Outra coisa é colocar uma solução na mão de usuários e parceiros e observar o que realmente acontece.

Esse processo ensina muito. Construir uma startup é testar, ouvir, ajustar e repetir, sem se apaixonar demais pela primeira versão da própria ideia.

O Madeira Startup Retreat

Um momento marcante nessa jornada foi a participação do Apollo no Madeira Startup Retreat, na ilha da Madeira em Portugal.

O programa reuniu startups ligadas ao turismo, viagens e hospitalidade em uma experiência de aceleração, mentoria e conexão internacional. Para nós, foi uma oportunidade muito especial de colocar o Apollo em uma conversa maior sobre o futuro do turismo.

A Madeira também foi um lugar simbólico para isso. É um destino com natureza forte, trilhas, mar, montanhas, turismo ativo e uma relação muito clara entre território e experiência. Estar ali reforçou algo que já acreditávamos: o turismo outdoor pode ser um motor de desenvolvimento local quando é bem organizado.

Participar do retreat nos ajudou a melhorar a forma como explicamos o Apollo, ouvir críticas, testar a nossa narrativa e perceber que a dor que estamos tentando resolver no Brasil também aparece em outros mercados.

Voltamos com mais clareza, mais conexões e mais confiança no caminho que estamos construindo.

Os próximos passos

O Apollo ainda está no começo, mas a direção está clara. Queremos crescer por regiões, ativando destinos com bons parceiros antes de expandir de qualquer jeito. Este que ainda continua sendo um grande desafio, como fazer o Apollo chegar aos olhos e ouvidos dos exploradores?

Também queremos evoluir a plataforma para além da reserva. A visão de futuro é que o Apollo se torne uma camada de organização para o turismo outdoor, com descoberta, reserva, pagamento, gestão de agenda, validação de parceiros, dados de desempenho e ferramentas simples para pequenos operadores locais.

Para o explorador, queremos ser um companheiro de viagem. Para o parceiro, queremos ser uma ferramenta para crescer com mais autonomia.

A visão de futuro é que o Apollo se torne uma camada de organização para o turismo outdoor, com descoberta, reserva, pagamento, gestão de agenda, validação de parceiros, dados de desempenho e ferramentas simples para pequenos operadores locais.

Thiago Mattos, cofundador e CEO do Apollo.

Por que isso importa

No fim, o Apollo não nasceu apenas para ser mais um aplicativo de turismo. Nasceu porque acreditamos que o Brasil tem um potencial outdoor enorme e ainda pouco organizado.

Acreditamos que viajar pode ser mais simples, mais seguro e mais conectado com quem realmente conhece o território. Acreditamos que pequenos operadores locais podem ganhar mais visibilidade sem perder autenticidade. E acreditamos que tecnologia boa não é aquela que complica tudo, mas aquela que ajuda as pessoas a viverem melhor o que já existe.

O Apollo existe para aproximar pessoas, destinos e experiências. E, se tudo der certo, para ajudar o Brasil a mostrar melhor aquilo que já tem de sobra: natureza, cultura, aventura e gente boa fazendo coisas incríveis acontecerem.

Artigo escrito, em Português do Brasil, por Thiago Mattos, cofundador e CEO do Apollo, no dia 26 de junho de 2026.