Quando uma seleção vence um Campeonato do Mundo, é comum ouvir que "o país inteiro ganha".

As ruas enchem-se, o consumo dispara e com o orgulho nacional em alta, durante algumas horas, alguns sítios esgotam as reservas de cerveja. Mas será que isso também se traduz numa economia mais forte? 

A resposta curta é ‘sim’, mas não durante muito tempo. Um estudo publicado na Oxford Bulletin of Economics and Statistics analisou vários países da OCDE e concluiu que vencer um Mundial aumenta o crescimento do PIB em cerca de 0,48 pontos percentuais nos dois trimestres seguintes à conquista. O efeito, no entanto, desaparece ao fim de cerca de seis meses. Ou seja, levantar a taça parece dar um pequeno "empurrão" à economia, mas está longe de alterar o rumo de um país.

Diego Maradona, 1986.

O efeito vai muito além do futebol

Os investigadores sugerem que este crescimento resulta sobretudo do reforço das exportações e da visibilidade internacional.

Depois de um Mundial, o país vencedor beneficia de uma enorme exposição mediática, fortalecendo a sua marca, aumentando a confiança dos consumidores e tornando os seus produtos e serviços mais conhecidos além-fronteiras. É, na prática, uma campanha de marketing global difícil de replicar por outros meios.

Espanha já viveu este fenómeno

Após a conquista do Mundial de 2010, investigadores analisaram o comportamento das empresas ligadas ao turismo espanhol e concluíram que a sua valorização bolsista aumentou significativamente. Mais do que isso, cada vitória da seleção durante o torneio tendia a impulsionar estas empresas, enquanto os maus resultados produziam o efeito inverso. A conclusão é que quando uma seleção vence, também melhora a perceção internacional do país como destino turístico. Isso pode traduzir-se em mais visitantes e mais receitas para um dos setores mais importantes da economia.

E organizar um Mundial? 

Se ganhar um Mundial produz apenas um efeito temporário, organizar um Mundial também está longe de ser uma garantia de prosperidade.

Uma análise recente da S&P Global conclui que o Mundial de 2026 deverá gerar apenas um impacto modesto nas economias dos Estados Unidos, México e Canadá. Embora cidades anfitriãs beneficiem de mais turistas, hotéis cheios e maior procura por transportes e restauração, estes ganhos representam uma fração muito pequena da atividade económica destes países.

Segundo a S&P Global, um dos motivos é porque o torneio está distribuído por 16 cidades, diluindo o impacto económico. Além disso, grande parte das infraestruturas já existia, reduzindo o investimento adicional que normalmente acompanha grandes eventos desportivos.

A título de exemplo, em edições passadas da nauta, analisámos como os Jogos Olímpicos resultam quase sempre em prejuízo e como os Jogos de 2024, em Paris, inverteram a tendência, embora de forma modesta. É uma lição importante para Portugal e Espanha, no que toca ao próximo Mundial.

É um impulso, não um milagre

No fundo, o maior benefício pode não estar no PIB.

Os estudos sugerem que o verdadeiro valor de um Mundial está na capacidade de reforçar a reputação internacional de um país. Uma imagem mais forte pode atrair turistas, investidores e consumidores durante algum tempo, criando oportunidades económicas que vão além dos 90 minutos de jogo.

Mas esse efeito tem prazo de validade.

Sem investimento, inovação e políticas económicas sólidas, a euforia acaba por desaparecer tão depressa como os festejos da vitória. Talvez seja essa a maior lição económica do futebol: um Mundial pode dar um impulso, mas dificilmente substitui os fundamentos de uma economia.

Pelé depois da final do Mundial de 1970.

Achas que Portugal vai lucrar com o Mundial de 2030?

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