Enquanto vês um jogo do Mundial, já alguma vez olhaste para as bancadas e pensaste: "quanto é que estas pessoas gastaram para estar ali?"

Com Portugal nos oitavos de final frente à Espanha, decidimos fazer esse exercício. O nosso estagiário n.º 5, que também sonha apoiar a nossa Seleção ao vivo, fez as contas para perceber quanto custaria viajar de Portugal para assistir ao jogo.

Como chegar lá?

A primeira missão é encontrar um voo.

Quando fizemos esta simulação, a opção mais económica para a ida custava 889 euros, com partida do Porto às 16h40, escala em Istambul e chegada a Dallas às 19h35 (hora local) do dia seguinte.

Convenientemente, a viagem parte do Porto e o nosso estagiário ainda anda por lá a recuperar das festas de São João e São Pedro, por isso poupa uma deslocação até ao aeroporto.

Já a escala em Istambul parece-lhe a oportunidade perfeita para fazer um transplante capilar e chegar ao Mundial com um novo visual. O que ele ainda não sabe é que os resultados demoram alguns meses a aparecer, mas deixem-no sonhar mais um bocadinho.

Onde dormir?

O hotel encontrado fica a cerca de 20 quilómetros do estádio, por isso o nosso estagiário percebeu rapidamente que desta vez a tradicional marcha dos adeptos portugueses teria de dar lugar a um Uber.

A classificação também não era propriamente digna de cinco estrelas mas, para um português habituado aos preços do alojamento nos últimos verões, encontrar um quarto por 45 euros por noite já parecia uma vitória quase tão importante como a passagem aos oitavos de final.

E há bilhetes??

Se o voo já fazia a carteira tremer, o bilhete é o verdadeiro teste à paixão pela Seleção. Na fase de venda oficial, os bilhetes para os oitavos de final custavam entre 240 e 640 dólares.

Hoje, com a procura em alta, a maioria dos adeptos tem de recorrer ao mercado de revenda, onde os preços variam constantemente. No momento em que escrevemos este artigo, o lugar mais barato que encontrámos para o Portugal-Espanha custava 2208 dólares (1929 euros).

Este tipo de variação rápida de preços, especialmente em eventos de grande procura, é um bom exemplo do fenómeno de FOMO (fear of missing out) e das chamadas “edições FIFA da ansiedade financeira”, onde a procura dispara e os preços acompanham o entusiasmo (podes ler mais na nossa recomendação desta semana).

Despesas do dia a dia

As despesas variáveis acabam por ser a parte mais subestimada de qualquer viagem deste tipo.

Para alimentação, o estagiário começou por reservar 120 euros, assumindo refeições simples ao longo da estadia. No entanto, com vários dias fora e tempos de espera em aeroportos e deslocações, este valor tende a subir mais depressa do que o planeado, especialmente nos Estados Unidos, onde qualquer “snack rápido” raramente é rápido e barato.

E não esquecer que em Istambul, entre as 21h e as 13h do dia seguinte, o estagiário fica no aeroporto. Sem hotel, mas também sem escapatória: dorme-se onde se pode e come-se o que aparece. Nesta paragem, estimamos cerca de 30 euros adicionais em refeições e bebidas, pois quando ele passar por Istambul não é só o cabelo (ou falta dele) que lá fica.

Nos transportes, o cenário repete-se. Entre aeroportos, hotel e estádio, as viagens deverão ter uma distância média de 20 quilómetros por viagem. Estimamos 60 euros, assumindo o uso de Uber e transportes públicos, já que a Tapsi, umas das nossas nautas da semana, ainda não chegou aos Estados Unidos, não há grande margem para poupanças criativas e mais sustentáveis.

No total, alimentação e transportes somam cerca de 210 euros em custos adicionais ao longo da viagem.

Extras e merchandising

Por fim, há sempre aquelas despesas que ninguém planeia, mas quase toda a gente acaba por fazer.

Entre um cachecol do Mundial, uma t-shirt da Seleção ou uma lembrança “para não esquecer a experiência”, estimamos cerca de 75 euros em merchandising e pequenas compras.

O estagiário jurou que não ia gastar nada disto mas também jurou que ia começar a planear a viagem com antecedência.

Documentação e entrada nos Estados Unidos

Antes de tudo, há ainda a questão da documentação necessária para viajar para os Estados Unidos.

Neste caso, o estagiário já tratou deste processo com antecedência, garantindo que tudo está em ordem para viajar sem complicações. O custo inclui a renovação do passaporte (70 euros) e a autorização eletrónica de entrada (ESTA, 35 euros), totalizando 105 euros.

Como voltar de lá?

Para regressar a Portugal, encontrámos um voo no dia 7 de julho por 576 euros, com escala em Nova Iorque. Como a ligação é feita no mesmo itinerário, não é necessário reservar alojamento adicional nem assumir outras despesas durante a escala.

Quanto custa, então, esta aventura?

Depois de somar todas as despesas, o custo total estimado desta viagem para assistir ao Portugal–Espanha no Mundial fica em 3 919,00 euros no cenário base. Naturalmente, como em qualquer experiência deste tipo, os preços podem variar: num cenário com uma variação de 10%, o valor total sobe para 4 303,40 euros, ou de 20% leva o orçamento para 4 687,80 euros.

Despesas

Base

Variação de 10%

Variação de 20%

Viagem de ida

889,00 €

977,90 €

1 066,80 €

Viagem de regresso

576,00 €

633,60 €

691,20 €

Alojamento

135,00 €

148,50 €

162,00 €

Bilhetes

1 929,00 €

2 121,90 €

2 314,80 €

Alimentação

150,00 €

165,00 €

180,00 €

Transporte

60,00 €

66,00 €

72,00 €

Documentação

105,00 €

115,50 €

126,00 €

Extras

75,00 €

75,00 €

75,00 €

Total

3 919,00 €

4 303,40 €

4 687,80 €

No fundo, entre flutuações de preços, decisões de última hora e aquele inevitável impulso de “já que vim até aqui…”, a única certeza é que ver a Seleção ao vivo continua a ser um exercício tão emocional quanto financeiro.

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