30 de maio de 2026

Boa tarde, coisinha sexy!
Esta semana escrevemos sobre a a (in)decisão de Trump, sobre os avisos do Papa à nata de Silicon Valley, e sobre os avanços tugas no setor aeroespacial.
Vamos lá!
PSI -1,77% | STOXX600 -0,46% | S&P500 1,19% | NASDAQ 2,02% |
EUR/USD 0,20% | OURO 0,13% | CRUDE -9,97% | BITCOIN -4,83% |
PLTR 13,68% | GOOGL -1,69% | BCP -1,06% | MAR 0% |
Dados obtidos às 11:40 do dia 30 de maio de 2026. Definições no final da nauta.
MERCADOS FINANCEIROS
Praça do Comércio

Em nome do Servidor, da Bolha e do Data Center…
A notícia mais importante da semana: irão os Estados Unidos da América (EUA) fazer tréguas com o Irão?
Estas palavras estão a ser escritas às 2 da manhã de uma sexta-feira de Santos Populares. O nosso estagiário, que até paga para trabalhar, está à espera que Donald Trump, Presidente dos EUA, se decida em relação ao conflito que ameaça causar uma recessão e que já transformou a maioria dos economistas em pessimistas.
Após convocar uma reunião “de topo” para decidir, não há nenhuma decisão. Pelo menos por agora.
Portanto, não se sabe se o cessar-fogo, que já foi quebrado, será estendido. Não se sabe se há acordo para avançar com discussões sobre armas nucleares e o Estreito de Ormuz. Não se sabe nada… Típica sexta-feira de Santos Populares!
Pa, pa l'americano! Não Papa a Inteligência Artificial!?
Os ChatGPTs da vida, que não conseguem fazer trocadilhos destes, são máquinas de plágio úteis porém… anti-católicas!? O Papa Leão (e não estamos a falar do Sport Clube União Torreense) é um entendido de inteligência artificial (IA), não fosse ele um licenciado em matemática.
E, numa era em que a startup de IA mais valiosa do planeta está prestes a lançar o modelo do Apocalipse, ter um Papa a atacar os broligarcas e a IA até dá jeito. Afirmando que a IA “precisa de ser desarmada”, o Papa Leão calou os líderes do Vale do Silicone. Ainda conseguiu citar Tolkien para trollar os que usam Senhor dos Anéis para dar nomes às suas startups nefastas… vai mais um trocadilho? Palan-tiros-nos-pés!
Com toda a correria das startups de IA para entrar nas bolsas de valores, quem imaginaria que seria a Igreja Católica a pôr em causa a moralidade do lucro?
Entretanto, no nosso retângulo: apostas de risco na bolsa!?
A Optimize, um fundo de investimento tuga, está a tentar travar a Oferta Pública de Aquisição (OPA) da Visabeira à Martifer com uma aposta arriscada: comprar ações acima do preço da oferta (2,25 vs. 2,057 euros por ação, respetivamente) para dificultar a chegada aos 90% necessários para retirar a empresa de bolsa.
A ideia está lá, mas o risco também: se a jogada falhar, o fundo pode ficar preso numa posição difícil de vender.
É uma manobra de ativismo pouco normal para um fundo destes (e para a realidade portuguesa). Pode até fazer sentido do ponto de vista do valor da Martifer, mas também pode acabar em perdas e/ou menor liquidez. Saberemos dia 5 de junho.
Se quiseres ler mais, recomendamos mesmo muito este artigo do ECO, que fez 10 anos nesta semana e continua em grande forma!
TECNOLOGIA
A Ilha dos Amores… no Espaço Sideral
Portugal procura o seu lugar especial na nova Economia do Espaço.
Na última vez que escrevemos sobre a mais recente revolução industrial, a da conquista do cosmos, deixámos um cheirinho do destino de Portugal. Não nos cabe “ultrapassar o Adamastor”, para isso existem as superpotências. Mas depois de domado o Cabo das Tormentas, a Ilha dos Amores está ao alcance de todos… mesmo aqueles que só têm jangadas.
E sim, nesta analogia domar o Cabo das Tormentas é chegar à órbita do nosso planeta e a Ilha dos Amores é o lucro.
E para que não restem dúvidas de que o negócio dos foguetes é mesmo difícil, nesta semana o foguete New Glenn da Blue Origin (a SpaceX de Jeff Bezos) explodiu durante um teste. Para além da catástrofe imediata (a explosão destruiu a infraestrutura de lançamentos), o acidente é também uma catástrofe para os planos da NASA para o futuro do Programa Artemis e da recém-anunciada base lunar. It’s not rocket science…
Lá está, o negócio dos foguetes não nos cabe a nós. Mas então, o que nos cabe?
Enter Alverca: pólo aeroespacial desde os tempos do Complexo Militar, a terra adotada de Vinícius Júnior (e de um dos cofundadores da nauta) terá agora uma fábrica de satélites. A Alverca Space Hub deverá estar concluída até o final de junho e entrar em produção ainda este ano. O foco serão os satélites SAR de Observação da Terra, usados em defesa, segurança e monitorização ambiental. O projeto está a ser financiado com 1,5 milhões do PRR e junta a Força Aérea, o CEiiA e as empresas tecnológicas nacionais CTI Aeroespacial, N3O e a GEOSAT. Além da inovação, a unidade deverá gerar emprego altamente qualificado.
Enter Santa Maria: para lá de vacas felizes e Pedro Pauleta, a Força Aérea está a negociar a compra de terrenos para o Space Hub Açores. Ambos são financiados pelo PRR no âmbito da agenda New Space Portugal, num total de 16 milhões de euros. O nosso porto espacial está bem encaminhado, com uma aterragem “já marcada”.
Portanto… teremos porto espacial, teremos fábrica de satélites e já temos talento (a Agência Espacial Europeia está literalmente saturada de portugueses) e uma constelação em órbita.
Sabe a pouco? Talvez. Mas sempre é melhor do que depender dos yankees: a Starlink de Elon Musk vai duplicar o preço do plano de emergência em Portugal, de 5 para 10 euros. O aumento dos preços coincide com a entrada das bolsas da SpaceX.
Parafuso a parafuso e lançamento a lançamento, Portugal constrói o seu lugar na nova Economia do Espaço. E os Velhos do Restelo? Nem vê-los!
Rapidinhas
Here we go again - A proposta de revisão laboral deu entrada na Assembleia da República, com mais de 50 alterações ao anteprojeto inicial, 12 das quais resultantes da UGT.
O Governo aprovou a junção de 13 apoios sociais na Prestação Social Única (PSU). Os beneficiários poderão ser obrigados a realizar trabalho social.
A partir de setembro, várias categorias de obras de construção deixarão de exigir licença, segundo um diploma publicado esta sexta-feira em Diário da República.
Portugal corre o risco de sofrer um cliff effect pós-fundos europeus, com as previsões a apontarem para um crescimento no investimento de apenas 1,6% em 2027.
O Governo vai criar condições para que haja caixas automáticas de Multibanco nas mais de 1.000 freguesias que atualmente não as têm, no âmbito do projeto “Multibanco Social”.
A Meta lançou planos de assinatura pagos para o Instagram, Facebook e Whatsapp. Os planos incluem funcionalidades adicionais.
A concorrência entre bancos no crédito à habitação fez cair os spreads para cerca de um terço do valor praticado há dez anos.
A TAP registou um prejuízo de 39,9 milhões de euros no primeiro trimestre do ano, o que representa uma melhoria de 63,1% face ao período homólogo do ano passado.
A Tekever, menção no Cantinho do Empreendedorismo edição passada, vai dar mais um passo na sua internacionalização, com a abertura de um escritório na Estónia.
A Moody's manteve o rating de Portugal em "A3", com perspetiva estável. A agência alerta para o rácio de dívida pública ainda elevado.
NAUTA DA SEMANA
TAPSi
E se houvesse uma alternativa à Uber e Bolt, 100 % elétrica e com carimbo português? Bem, existe mesmo e é portuguesa: a startup coimbrã TAPSi acaba de concluir uma ronda de investimento e quer mostrar que ainda há espaço para inovar num setor dominado por gigantes internacionais.
O que é a TAPSi?
Incubada na inCoimbra StartUp HUB, a TAPSi nasceu no final de 2025 com a missão ambiciosa de criar uma plataforma TVDE desenvolvida integralmente em Portugal. Desde então, Coimbra tem servido como laboratório vivo para testar a tecnologia, reunindo já mais de 5.000 utilizadores registados (esta ideia teria dado jeito aos fundadores da nauta nas suas passagens por Coimbra para o Arrisca C). Entre comboios, autocarros, caminhadas estratégicas e uma coleção impressionante de viagens TVDE (sempre elétricas, por teimosia sustentável e curiosidade automobilística), uma app portuguesa com frota 100% elétrica teria provavelmente poupado algumas pesquisas de última hora. Felizmente para os próximos visitantes da cidade. Felizmente, a TAPSi parece estar a transformar esse cenário em realidade.
O que distingue a TAPSi?
Enquanto muitas empresas ainda estão a eletrificar as suas operações, a TAPSi começou logo com uma frota 100% elétrica, algo ainda pouco comum no mercado TVDE nacional, sendo que, segundo o IMT, cerca de 45% dos veículos TVDE em Portugal são elétricos. Esta nova fase é liderada por Rui Nuno Castro, recentemente nomeado CEO. A startup já confirmou que a expansão para novas geografias será anunciada em breve. O objetivo é levar a tecnologia desenvolvida em Coimbra a mais cidades e reforçar a sua posição como alternativa nacional no setor. Há também alguma poesia no timing, pois o anúncio foi feito no Dia Mundial da Energia. Coincidência ou não, a TAPSi parece querer provar que o futuro da mobilidade passa por chegar ao destino com menos emissões pelo caminho.
CANTINHO DO EMPREENDEDORISMO
🛡️ Blindagem e drones na mira da Optimal Group - A portuguesa Optimal Group, que atua no setor da produção de compósitos, quer reforçar a sua presença no setor da defesa. A empresa quer colocar as suas soluções de proteção balística nos veículos Pandur no Exército Português, os quais serão alvo de uma modernização. Em breve, vai testar o seu drone intercetor, Pitbull, em cenário real na Ucrânia. A Optima aposta em tecnologia nacional de compósitos e drones de baixo custo para responder às novas exigências da guerra moderna.
RECOMENDAÇÃO
Já podes herdar às farturas sem pagar faturas
Se um dia alguém te disse “um dia vais herdar o terreno da Tia Gertrudes”, mas esse dia chegou e tu ainda não sabes bem onde ele fica, este pode ser o momento de te organizares. Até 30 de setembro de 2026, ainda podes tratar da georreferenciação (RGG) gratuitamente através do BUPi. É o passo que coloca o terreno no mapa com limites claros e permite desbloquear tudo o resto: registo, partilhas e até venda. Depois dessa data, passa a ser pago. Em Portugal, há milhões de terrenos presos em heranças antigas, passadas de geração em geração sem registos atualizados, E quando chega a altura de resolver, a pergunta é sempre a mesma: “isto afinal é meu ou do meu primo?” A boa notícia é que ainda vais a tempo de tratar disso sem custos. A má é que, se deixares para depois, a herança da Tia Gertrudes pode começar a vir com fatura incluída. Podes ler mais detalhes sobre este assunto neste artigo do ECO.
ABC DO DINHEIRO
Cliff Effect
Em economia, o cliff effect (que pode ser traduzido para algo como efeito precipício) descreve uma situação em que uma pequena mudança nas variáveis económicas ou uma alteração política desencadeia uma reação desproporcional, abrupta e severa nos mercados ou na economia real. É como empurrar um carro por um precipício abaixo: quando há uma retirada abrupta de estímulos estatais ou apoios financeiros a uma economia, esta poderá sofrer uma contração severa.
No adeus desta edição chamamos a tua atenção para o facto de que se não investir na tua literacia financeiro podes sofrer um cliff effect… na tua carteira a longo prazo!
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Memes

Liar, liar, pants on fire!
As cotações apresentam os resultados semanais dos ativos referenciados. As quatro primeiras são índices que combinam os desempenhos de conjuntos de empresas. O PSI é o índice português, o STOXX600 é o índice das 600 maiores empresas europeias, o S&P500 e o NASDAQ são ambos dos EUA. As seguintes quatro são mercadorias e moedas. EUR/USD é o câmbio entre o euro e o dólar americano, ouro e crude dizem respeito aos contratos contínuos de ambos, e bitcoin é a mais popular criptomoeda (em euros).
As quatro últimas são ações de empresas que tiveram desempenhos notáveis durante a semana. Nesta semana temos PLTR para a Palantir, GOOGL para a Alphabet (Class A), BCP para o Banco Comercial Português e MAR para a Martifer.
A nauta é uma newsletter semanal sobre a atualidade económica, financeira e empresarial, escrita em língua portuguesa. Não é jornalismo nem consultoria financeira, mas uma oportunidade para aprofundares os teus conhecimentos nestes temas e acompanhares o essencial do mundo dos negócios e mercados financeiros.
Escrita por João Ornelas Raínho, Mário de Pinto Balsemão e Nuno Martins,
com a colaboração de Cristina Berenguer.





