Uma década depois do final da 2.ª Guerra Mundial, o mundo estava dividido entre duas super-potências rivais… quando um engenheiro soviético responsável por mísseis balísticos, viu nas suas armas de guerra o potencial para a exploração espacial. Nascido na atual Ucrânia, Sergei Korolev, eventualmente conhecido como designer chefe, “plantou notícias” de que os soviéticos estavam a pensar usar foguetes para explorar o cosmos.

O nosso planeta visto pelos astronautas da Artemis II, Portugal em destaque.
Os líderes norte-americanos, através da CIA, ficaram interessados. E os líderes soviéticos, devido ao interesse dos norte-americanos, também. A “mentira” tornou-se verdade e Korolev tornou-se o designer chefe do programa espacial soviético. Seguiu-se o satélite Sputnik 1, que orbitou o nosso planeta, e, um mês depois, o Sputnik 2 que levou a cadela Laika.

O designer chefe com a Laika, a primeira cosmonauta.
Se o engenho de Korolev deu início à corrida espacial entre os norte-americanos e os soviéticos, a sua morte prematura (provavelmente devido aos anos que passou numa Gulag) deu a vitória ao ocidente após os múltiplos sucessos das missões Apollo. Neil Armstrong pisou a Lua e a 1.ª corrida espacial terminou.
A missão Artemis II, tal como o Sputnik 1, é o início de uma nova corrida espacial.

Os astronauta da Artemis II tiraram esta foto da Terra enquanto este artigo era escrito, estavam a meio caminho.
“Espera lá, mas porque é que eu estou a ler sobre corridas espaciais na minha plataforma de literacia financeira?” - tu, provavelmente… e com razão! Passamos a explicar:
Mais do que uma maratona de propaganda entre dois blocos ideologicamente rivais, a 2.ª corrida espacial será um sprint para um “novo mundo” à semelhança do que os nossos antepassados portugueses fizeram na Era das Descobertas. Energia nuclear, bases lunares, indústria na órbita da Terra, data centers no espaço, empresas fora deste mundo e, eventualmente, guerras nas estrelas!
Ou seja, se a 1.ª corrida espacial foi análoga a dobrar o Cabo das Tormentas, a 2.ª corrida espacial será análoga a dominar a Rota das Especiarias. A Economia do Espaço poderá valer 1,8 milhões de milhões de dólares em 2035!
Mas esta não é uma corrida a dois… os norte-americanos partem em vantagem, com o Módulo de Serviço Europeu (tecnologia europeia essencial no Programa Artemis). No entanto, a China também quer pisar a Lua antes de 2030 e, ao contrário dos EUA, a sua estratégia não depende de eleições de 2 em 2 anos (em 2024 trouxeram para a Terra amostras do rególito do lado oculto da Lua). Para além da China, também a Índia já alcançou firsts robóticos na Lua.
E não nos podemos esquecer dos bilionários e broligarcas, que também têm a sua própria corrida espacial. Aliás, foi através da mesma que o empresário português Mário Ferreira se tornou o 1.º turista espacial português.
E onde fica Portugal?
O nosso país também vai fazendo o seu caminho. No início deste ano assinamos os Acordos Artemis com os EUA. A Agência Espacial Europeia está a abarrotar com portugueses e agora até temos a nossa própria agência espacial. Nas exportações de alta tecnologia, é o nosso setor aeroespacial o que mais cresce. Os Açores já têm um porto espacial com a 1.ª “aterragem” marcada para a missão de uma empresa co-fundada por uma das nossas nautas da semana!
Mais: Portugal lançou 6 novos satélites a bordo do foguetão da SpaceX, que vão reforçar as Constelações Atlântico e Lusíadas no âmbito da Agenda New Space, financiados pelo PRR e investimento privado. A Força Aérea Portuguesa e o CEiiA reforçam a Constelação Atlântico com um satélite SAR e um satélite ótico VHRLight NexGen, respetivamente. A LusoSpace reforça a Constelação Lusíada com quatro satélites, Camões, Agustina, Pessoa e Saramago. O objetivo é melhorar comunicações e monitorização, especialmente no contexto marítimo. Destaca-se ainda um acordo com a americana Satellogic para cooperação em novas tecnologias e serviços ligados ao Atlantic Data Hub.
Nesta nova corrida espacial, podemos não ser nós a ultrapassar o Adamastor, mas nada nos impede de eventualmente chegar à Ilha dos Amores.
Artigo, adaptado, originalmente escrito na edição semanal da nauta do dia 4 de maio de 2026.




