4 de abril de 2026

Boa tarde, coisinha sexy!
A Humanidade está a regressar à Lua e por isso nesta semana temos uma edição especial espacial. Escrevemos sobre a nova corrida espacial, sobre a entrada da SpaceX nas bolsas e sobre a frota de satélites portugueses.
Vamos lá!

PSI 4,85%

STOXX600 3,32%

S&P500 2,61%

NASDAQ 3,60%

EUR/USD 0,56%

OURO 5,34%

CRUDE 19,86%

BITCOIN -0,19%

NVDA 4,53%

TSLA -2,24%

JMT 2,88%

SON 6,49%

Dados obtidos às 11:04 do dia 4 de abril de 2026. Definições no final da nauta.

MERCADOS FINANCEIROS

Praça do Comércio Sistema Solar

A notícia mais importante da semana: mercados continuam em modo montanha-russa devido à guerra no Irão!

Num mundo normal, a principal notícia da semana seria o regresso da Humanidade à Lua (mais sobre isso em baixo). No entanto, o mais recente conflito no Médio Oriente continua sem qualquer resolução e por isso os mercados financeiros continuam miseravelmente caóticos.

Desde 2022 que o S&P500, um dos principais índices bolsistas dos Estados Unidos da América (EUA), não tinha um trimestre tão mau. A Microsoft e a Meta, por exemplo, já caíram mais de 30% desde os respetivos picos históricos em outubro e agosto do ano passado. Os investidores estarão atentos, aos resultados trimestrais das cotadas, para antecipar a tendência para o resto do ano. 

Isto porque é impossível prever a resolução da guerra no Irão…

Trump disse estar disposto a “abandonar” o conflito sem reabrir o Estreito de Ormuz, e, na mesma semana, avisou o Irão para se preparar para mais ataques nas próximas semanas. Nas últimas horas, o Irão abateu um caça F-15 norte-americano e agora ambos os países estão numa corrida para encontrar a pessoa que pilotava a aeronave. Trump prefere heróis de guerra que “não são capturados”. A guerra poderá escalar.

Uma empresa do outro mundo: a SpaceX vai entrar para os mercados!

As Ofertas Públicas Iniciais (OPI), a venda de ações de uma empresa que passa a ser cotada nos mercados financeiros, estão outra vez na moda… E que tal a maior OPI de sempre!?

A SpaceX de Elon Musk é, na teoria, uma empresa fora deste mundo. Os seus foguetes reutilizáveis revolucionaram a economia da exploração espacial. Através dos Falcon Heavy, enviar 1 quilograma para o espaço é 50 vezes mais barato do que com o Vaivém da NASA (que permitiu a construção da Estação Espacial Internacional).

Esta dramática redução nos custos de lançamentos permitiram o modelo de negócios da sucursal da SpaceX, Starlink, que oferece internet via satélite em localizações remotas.

É uma máquina de fazer dinheiro. Ao contrário da maioria das startups, a SpaceX tem lucros. Estamos a falar de receitas à volta dos 15 a 16 mil milhões de dólares com cerca de 8 mil milhões de lucro. São margens muito boas para uma empresa de foguetes. Melhor ainda, a SpaceX tem praticamente monopólio no que a foguetes diz respeito.

Agora, depois da SpaceX adquirir a xAI (com o X, antigo twitter, lá dentro), naquela que foi a maior fusão de sempre, está tudo pronto para a SpaceX entrar para a bolsa!

Fundada em 2002, a SpaceX tentará, em meados de junho uma avaliação de 1,8 milhões de milhões de dólares nos mercados financeiros, encaixando pelo menos 75 mil milhões através da OPI.

Será então uma das maiores empresas do planeta, embora esteja a faturar fora dele.

Os próximos destinos serão colocar data centers em órbita, alcançar a Lua e, eventualmente, colonizar Marte. 

ECONOMIA

A Nova Corrida Espacial

O nosso planeta visto pelos astronautas da Artemis II, Portugal em destaque.

O nosso estagiário tem a cabeça na Lua e aproveitou para escrever sobre a revolução industrial que está agora a iniciar.

Uma década depois do final da 2.ª Guerra Mundial, o mundo estava dividido entre duas super-potências rivais… quando um engenheiro soviético responsável por mísseis balísticos, viu nas suas armas de guerra o potencial para a exploração espacial.  Nascido na atual Ucrânia, Sergei Korolev, eventualmente conhecido como designer chefe, “plantou notícias” de que os soviéticos estavam a pensar usar foguetes para explorar o cosmos. 

Os líderes norte-americanos, através da CIA, ficaram interessados. E os líderes soviéticos, devido ao interesse dos norte-americanos, também. A “mentira” tornou-se verdade e Korolev tornou-se o designer chefe do programa espacial soviético. Seguiu-se o satélite Sputnik 1, que orbitou o nosso planeta, e, um mês depois, o Sputnik 2 que levou a cadela Laika

O designer chefe com a Laika, a primeira cosmonauta.

Se o engenho de Korolev deu início à corrida espacial entre os norte-americanos e os soviéticos, a sua morte prematura (provavelmente devido aos anos que passou numa Gulag) deu a vitória ao ocidente após os múltiplos sucessos das missões Apollo. Neil Armstrong pisou a Lua e a 1.ª corrida espacial terminou. 

Esta edição da nauta será lançada uma horas antes de a Humanidade “regressar” à Lua (por agora é só a órbita, ainda temos de esperar um pouco mais até voltar a pisar). A missão Artemis II, tal como o Sputnik 1, é o início de uma nova corrida espacial.

“Espera lá, mas porque é que eu estou a ler sobre corridas espaciais na minha newsletter de literacia financeira?” - tu, provavelmente… e com razão! Passamos a explicar:

Mais do que uma maratona de propaganda entre dois blocos ideologicamente rivais, a 2.ª corrida espacial será um sprint para um “novo mundo” à semelhança do que os nossos antepassados portugueses fizeram na Era das Descobertas. Energia nuclear, bases lunares, indústria na órbita da Terra, data centers no espaço, empresas fora deste mundo e, eventualmente, guerras nas estrelas!

Ou seja, se a 1.ª corrida espacial foi análoga a dobrar o Cabo das Tormentas, a 2.ª corrida espacial será análoga a dominar a Rota das Especiarias. A Economia do Espaço* poderá valer 1,8 milhões de milhões de dólares em 2035! 

Os astronauta da Artemis II tiraram esta foto da Terra enquanto este artigo era escrito, estavam a meio caminho.

Mas esta não é uma corrida a dois… os norte-americanos partem em vantagem, com o Módulo de Serviço Europeu (tecnologia europeia essencial no Programa Artemis) neste momento mais perto da Lua do que da Terra. No entanto, a China também quer pisar a Lua antes de 2030 e, ao contrário dos EUA, a sua estratégia não depende de eleições de 2 em 2 anos (em 2024 trouxeram para a Terra amostras do rególito do lado oculto da Lua). Para além da China, também a Índia já alcançou firsts robóticos na Lua. 

E não nos podemos esquecer dos bilionários e broligarcas, que também têm a sua própria corrida espacial. Aliás, foi através da mesma que o empresário português Mário Ferreira se tornou o 1.º turista espacial português.

O nosso país também vai fazendo o seu caminho. No início deste ano assinamos os Acordos Artemis com os EUA. A Agência Espacial Europeia está a abarrotar com portugueses e agora até temos a nossa própria agência espacial. Nas exportações de alta tecnologia, é o nosso setor aeroespacial o que mais cresce. Os Açores já têm um porto espacial com a 1.ª “aterragem” marcada para a missão de uma empresa co-fundada por uma das nossas nautas da semana!

Nesta corrida espacial, podemos não ser nós a ultrapassar o Adamastor, mas nada nos impede de eventualmente chegar à Ilha dos Amores. 

A ACONTECER

🛰️ Portugal na conquista do setor espacial e inovação tecnológica - Portugal lançou 6 novos satélites a bordo do foguetão da SpaceX, que vão reforçar as Constelações Atlântico e Lusíadas no âmbito da Agenda New Space, financiados pelo PRR e investimento privado. A Força Aérea Portuguesa e o CEiiA reforçam a Constelação Atlântico com um satélite SAR e um satélite ótico VHRLight NexGen, respetivamente. A LusoSpace reforça a Constelação Lusíada com quatro satélites, Camões, Agustina, Pessoa e Saramago. O objetivo é melhorar comunicações e monitorização, especialmente no contexto marítimo. Destaca-se ainda um acordo com a americana Satellogic para cooperação em novas tecnologias e serviços ligados ao Atlantic Data Hub.

Rapidinhas

A entrega das declarações de IRS já começou e decorre até 30 de junho. 

A carga fiscal subiu para 35,4% do PIB em 2025, de acordo com o INE. É o segundo aumento anual consecutivo. 

O preço da botija de gás vai aumentar 20%. Uma botija de 45 quilos deverá subir cerca de 15 euros e a de 13 quilos cerca de 3 euros. 

A taxa de poupança das famílias portuguesas recuou para 12,1% em 2025, segundo o INE. Já a capacidade de financiamento das famílias fixou-se nos 3,9% do PIB.

A inflação da Zona Euro disparou para 2,5% em março, impulsionada sobretudo pelos preços da energia. Em Portugal, acelerou para 2,7%.

A RTP apresentou uma nova identidade visual que unifica as marcas de televisão, rádio e plataformas digitais. 

A saída da Ryanair dos Açores está a afetar o setor do turismo da região. Estima-se que haja menos visitantes e impacto direto na economia regional.

A Assembleia da República aprovou, na especialidade, várias alterações ao subsídio de mobilidade, entre as quais o fim do teto máximo de 400 euros para o reembolso das viagens aéreas

O Parlamento Europeu aprovou novas regras para proteger os depositantes em caso de falências bancárias.

Os interessados na compra da TAP entregaram até quinta-feira (02/04) as suas primeiras propostas, que devem incluir o preço a oferecer pelas ações da companhia portuguesa.

A Alemanha e a Itália estão a propor a criação de regulamentação na UE para as stablecoins. O objetivo é salvaguardar os mercados financeiros.

Há um novo gigante na indústria alimentar: o grupo europeu Unilever vai fundir-se com o congénere norte-americano McCormick & Company

A Organização Mundial do Comércio (OMC) alerta que o comércio global enfrenta as maiores perturbações em 80 anos, devido às guerras e às tensões geopolíticas.

NAUTA DA SEMANA
Renasens

Um dos maiores problemas da indústria da moda consiste no desperdício têxtil que simplesmente não tem solução à escala; isto pensávamos nós até aparecer a Renasens  com a sua filosofia Fast fashion out, recycling inque já levantou 10 milhões de euros para atacar.

Mas o que é a Renasens?

A startup desenvolveu uma tecnologia que usa CO2 supercrítico para separar tecidos mistos, como algodão e poliéster, sem destruir as fibras. Na prática, isto significa que a roupa usada deixa de ser “lixo difícil” e passa a ser matéria-prima pronta a reutilizar. A tecnologia é modular, pode ser integrada em fábricas existentes e não exige mudanças radicais nos processos industriais, o que faz com que reciclar deixe de ser complicado e passe a ser viável. A empresa já está a fornecer fibras recicladas a fabricantes europeus, incluindo em Portugal, mostrando que há procura e aplicação prática desde cedo.

Cortes, costuras e próximos passos

O próximo passo passa por escalar. A Renasens vai avançar com uma unidade piloto na Suécia, mas o foco estratégico está também no sul da Europa, com Portugal claramente no radar.A ambição é trabalhar diretamente com a indústria têxtil portuguesa, fornecer tecnologia e, numa fase seguinte, licenciar o sistema para produção em escala. Num contexto em que a União Europeia está a apertar regras sobre resíduos têxteis, isto pode colocar Portugal numa posição interessante, não só como produtor, mas como parte ativa de uma cadeia mais circular.

CANTINHO DO EMPREENDEDORISMO

🚨 A Hala Systems, a salvar vidas em zonas de conflito - A portuguesa Hala Systems está a usar tecnologia para salvar vidas em cenários extremos. Esta startup combina IA e a infraestrutura de cloud da Amazon Web Services, em colaboração com organizações humanitárias, para transformar dados de satélites, sensores e redes sociais em alertas em tempo real. Entre os projetos, está a plataforma Sentry, inicialmente desenvolvida para a Síria, que já avisou civis antes de ataques aéreos, reduzindo vítimas em até 30%. Outros projetos incluem a localização de crianças em zonas de guerra e o combate à desinformação.

🧑‍⚕️ A MadVital, a prestar cuidados médicos ao domicílio - A empresa MadVital é a primeira estrutura privada de Hospitalização Domiciliária Premium na Região Autónoma da Madeira. Criado por um enfermeiro, oferece cuidados clínicos avançados ao domicílio, incluindo hospitalização domiciliar premium, enfermagem especializada, reabilitação e assistência urgente 24h, com equipas multidisciplinares e acompanhamento contínuo.

RECOMENDAÇÃO

Quais são os segredos das equipas vencedoras?

Se achas que boas equipas nascem só de talento ou de um plano bonito em PowerPoint, este artigo (versão curta aqui)  vem estragar um bocado essa ideia. A verdade é que as melhores, como por exemplo os Oklahoma City Thunder na NBA,  são as que aprendem mais rápido. Testam mais, fazem perguntas difíceis tipo “onde é que estamos presos?” e tratam o feedback como ferramenta, não como ataque.Também mostram que bons líderes não têm de saber tudo: dizer “não sei” e pedir ajuda pode ser o que faz a equipa evoluir mais rápido. No fim, o segredo não está em acertar sempre  está em melhorar constantemente. Porque hoje em dia, ganhar não é saber mais, mas sim aprender melhor.

ABC DO DINHEIRO
Economia Espacial

A economia espacial refere-se ao conjunto de atividades económicas, industriais e comerciais relacionadas com a exploração e utilização do espaço. Este é um termo muito abrangente, que envolve tudo, desde o lançamento de satélites, turismo espacial, construção de estações espaciais, mineração de asteróides, e à prestação de serviços baseados em dados espaciais, entre outros conceitos. A economia espacial envolve entidades públicas como privadas. Este setor tem vindo a crescer rapidamente, impulsionando inovação, criando oportunidades de negócio e contribuindo para áreas como a proteção climática, segurança, defesa, agricultura e comunicações globais.

No adeus desta edição queremos celebrar a nova corrida espacial e tudo o que fará pela Humanidade: a última trouxe o GPS, os painéis solares e muito mais!

Qualquer feedback construtivo é muito bem vindo em
[email protected]!

Memes

As cotações apresentam os resultados semanais dos ativos referenciados. As quatro primeiras são índices que combinam os desempenhos de conjuntos de empresas. O PSI é o índice português, o STOXX600 é o índice das 600 maiores empresas europeias, o S&P500 e o NASDAQ são ambos dos EUA. As seguintes quatro são mercadorias e moedas. EUR/USD é o câmbio entre o euro e o dólar americano, ouro e crude dizem respeito aos contratos contínuos de ambos, e bitcoin é a mais popular criptomoeda (em euros).

As quatro últimas são ações de empresas que tiveram desempenhos notáveis durante a semana. Nesta semana temos NVDA para a NVIDIA, TSLA para a Tesla, JMT para a Jerónimo Martins e SON para a Sonae.

A nauta é uma newsletter semanal sobre a atualidade económica, financeira e empresarial, escrita em língua portuguesa. Não é jornalismo nem consultoria financeira, mas uma oportunidade para aprofundares os teus conhecimentos nestes temas e acompanhares o essencial do mundo dos negócios e mercados financeiros.

Escrita por João Ornelas Raínho, Mário de Pinto Balsemão e Nuno Martins,
com a colaboração de Cristina Berenguer.

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