7 de fevereiro de 2026

Boa tarde, coisinha sexy!
Esta semana escrevemos sobre a fusão da SpaceX com a xAI, sobre a nova cara da Tesla e sobre o caos nos mercados financeiros.
Vamos lá!
PSI 2,70% | STOXX600 1,45% | S&P500 -0,24% | NASDAQ -1,25% |
EUR/USD 0,16% | OURO 6,20% | CRUDE 2,12% | BITCOIN -13,76% |
PLTR -10,11% | RDDT -23,10% | META -7,51% | AMZN -11,76% |
Dados obtidos às 10:35 do dia 7 de fevereiro de 2026. Definições no final da nauta.
MERCADOS FINANCEIROS
Praça do Comércio

A notícia mais importante da semana: os mercados estão em patins!
Normalmente, é nesta rubrica que tentamos resumir e explicar o que aconteceu nos mercados financeiros ao longo da última semana. Hoje, porém, é impossível explicar o que se passou nesta semana.
Desde segunda até quinta-feira, os mercados norte-americanos foram caindo, com as maiores quedas a acontecer na quinta-feira. Não há nenhuma justificação forte para as quedas. Por exemplo, a ação da rede social reddit ($RDDT) caiu mais de 23% após anunciar os resultados trimestrais que até foram positivos…
No entanto, na sexta-feira as bolsas recuperaram bastante. Se não há uma explicação confirmada para as quedas, também não há para as recuperações. Mas vamos analisar caso a caso.
No que toca às ações de Inteligência Artificial (IA), as quedas deverão ter três razões predominantes:
O mercado de trabalho nos Estados Unidos da América (EUA) tem vindo a enfraquecer nos últimos meses;
Há cada vez mais empresas de software (excluindo as gigantes tecnológicas) a receber cada vez menos receitas, uma transferência de fluxos de caixa* resultante da implementação da IA;
Ainda não há provas irrefutáveis de que implementar a IA traduz-se em ganhos de eficiência nas margens operacionais das grandes empresas.
Ou seja, os estrondosos investimentos das gigantes tecnológicas em IA estão a deixar à seca as empresas de software mais pequenas e ainda há dúvidas de que esses investimentos resultarão em lucros. Aliás, a NVIDIA está a hesitar no seu acordo de 100 mil milhões de dólares com a OpenAI.
Pior do que a IA só mesmo as criptomoedas e a bandeira dessa indústria, a bitcoin, teve uma semana catastrófica. É que ao longo do último ano a tendência da bitcoin era de queda, algo que vai de encontro ao seu ciclo “natural”.
No entanto, esta semana foi de queda a pique, com a criptomoeda mais famosa a cair quase até aos 50 mil euros. Mais uma vez, é difícil explicar o colapso da bitcoin, mas há rumores de que teve origem em Hong Kong.

Valor da bitcoin ao longo do último ano, em euros.
Tesla: quem é quem?
A Tesla é uma empresa muito especial… e não no bem sentido.
Depois de inventar o mercado dos veículos elétricos, a Tesla demorou demasiado tempo para escalar a sua produção. Eventualmente chegou a competição chinesa, capaz de produzir mais carros, mais depressa e mais baratos. Incapaz de competir em escala, custo e qualidade, a Tesla perdeu a sua vantagem.
Agora, a empresa bandeira dos carros elétricos deixou de ser uma empresa de carros elétricos.
A receita anual da Tesla caiu pela primeira vez, com os lucros a caírem 61% nos últimos 3 meses de 2025. Ao mesmo tempo, a Tesla anunciou o final da produção dos icónicos modelos S e X. Em vez de carros, a empresa quer produzir robots humanóides: os famosos Optimus.
As empresas de Musk vivem de hype (mais sobre isso em baixo) e esta é mais uma tentativa de dar “esperança” aos investidores. Afinal, se a Tesla é uma empresa de robots então não há grande sarilho se as suas vendas de carros estão a derrapar, não é?
No nosso retângulo: Galp ganha cada vez mais território!
A estratégia da Galp parece estar a ficar mais clara para os investidores. O banco J.P. Morgan passou a preferir a Galp à espanhola Repsol.
Porquê?
Porque a instabilidade geopolítica torna mais atrativo o petróleo de baixo custo. Neste contexto, as jogadas mais recentes da Galp, seja através da procura de escala continental ou da futura exploração na Namíbia, apontam para longevidade e estabilidade a preços simpáticos. Com a situação no Irão a intensificar-se, melhor fica a posição da nossa petrolífera.
EMPRESAS
A Maior Fusão de Sempre: SpaceXAI-ai-ai…

Elon Musk juntou a xAI à SpaceX para tornar o Sol consciente, talvez fosse mais fácil começar pelos utilizadores da rede social X.
Há uns tempos, escrevemos sobre a desinformação que circulava acerca de Elon Musk ser trilionário. O termo “trilionário” tem origem na língua inglesa, em português estaríamos a falar de 1 milhão de milhões. Obsceno.
Na altura, esses valores astronomicamente pornográficos resultaram do seu “prometido salário” enquanto líder da Tesla. De momento, todos os objetivos da Tesla permanecem por cumprir, pelo que Elon Musk não será trilionário por esse meio. No entanto, através da SpaceX…
É que, como temos vindo a escrever, a SpaceX é uma das empresas privadas mais valiosas do planeta (lado a lado com a OpenAI). Para além de ser uma empresa revolucionária no que à exploração espacial diz respeito, o modelo de negócios da sucursal Starlink, que oferece internet via satélite em localizações remotas, é uma máquina de fazer dinheiro.
A SpaceX, ao contrário da maioria das startups, tem lucros. Estamos a falar de receitas à volta dos 15 a 16 mil milhões de dólares com cerca de 8 mil milhões de lucro. São margens muito boas para uma empresa de foguetes.
Melhor ainda, a SpaceX tem praticamente monopólio no que a foguetes diz respeito. A versão made in China do seu foguete Falcon 9, esteve perdida em órbita e quase caiu na Europa na semana passada.

O foguete Falcon 9 é uma das maravilhas do mundo moderno.
Portanto, com a SpaceX a ser maravilha do império de Musk, qual é a melhor forma de a estragar?
Com uma fusão com os seus “negócios falhados” de IA!
Depois de comprar o twitter (com “empréstimos” duvidosos) e de o estragar, transformando-o no X. Depois de “comprar” o X com a sua startup de IA a xAI, o que eventualmente levou a pornografia infantil na rede social e agora a buscas policiais em Paris. Depois de tantos maus resultados, Musk decidiu fundir a genial SpaceX com o resto do seu lixo.
Naquela que já é a maior fusão de sempre, a SpaceX adquiriu a xAI (com a rede social X lá dentro). Agora, a megacorporação está avaliada em 1,25 milhões de milhões e o objetivo é…
(Estagiário vai ver as suas notas)
Meter data centers em órbita para fazer avanços astronómicos em inteligência artificial?!?
Apesar de alguns sarilhos com as leis da termodinâmica, a verdade é que o novo modelo de negócios poderá bater certo no futuro. Aliás, essa foi uma das previsões da nauta para 2026: data centers no espaço!
No entanto, antes da nova SpaceX(AI) entrar nas bolsas norte-americanas, é preciso fazer contas ao estado atual das coisas. É que se a SpaceX tinha 8 mil milhões de lucro, a xAI pode perder uns 6 mil milhões por ano. Ou seja, a SpaceX é a grande perdedora deste negócio, pelo menos por agora.
De momento, esta fusão não é propriamente o negócio do século… é mais Musk a tentar salvar o falhanço do twitter e do seu laboratório de inteligência artificial. Faz parte do seu modus operandi… e que ninguém se admire se ele se lembrar de juntar a Tesla à festa!
A ACONTECER
⛈️🗃️ Chuva, vento e votos em espera? - Devido ao mau tempo e à situação de calamidade em várias regiões, alguns municípios irão adiar a segunda volta das eleições presidenciais marcadas para este domingo. É o caso de Alcácer do Sal, Arruda dos Vinhos e Golegã. Segundo a lei, não é possível o adiamento a nível nacional. A decisão cabe aos presidentes de câmara e só se aplica localmente, onde as condições não garantam o ato eleitoral, sendo que a nova votação deverá acontecer uma semana depois.
⚓🚀 Anchorage com reforço de peso - O unicórnio com ADN português Anchorage Digital anunciou um investimento de 85 milhões de euros da gigante norte-americana Tether, empresa responsável pela emissão da stablecoin USDT. Este financiamento será usado em parte para a primeira venda privada de ações a colaboradores, dando liquidez à equipa e reforçando o futuro crescimento institucional e de emissão de criptomoedas reguladas. O negócio avalia o banco de criptomoedas fundado por Diogo Mónica em cerca de 3,6 mil milhões de euros.
Rapidinhas
Isabel Guerreiro é a nova CEO do Santander Portugal (antigo Totta), substituindo Pedro Castro e Almeida. É a primeira mulher a liderar um grande banco em Portugal.
A dívida pública caiu para 89,7% do PIB em 2025, segundo o Banco de Portugal. O resultado é explicado pelo crescimento económico.
Um acionista mistério da Impresa entrou com uma ação em tribunal para tentar travar o aumento de capital que permitiria a entrada da italiana MFE no grupo
Tens até 2 de março para validar as faturas no portal e-Fatura.
Portugal recebeu 5,8 mil milhões de euros em empréstimos do programa SAFE, destinados a modernizar as capacidades militares do país.
O Ministro da Agricultura anunciou um apoio de 40 milhões de euros para os agricultores nas zonas de calamidade resultantes da depressão Kristin.
A Lince Capital liderou a ronda seed de 1,4 milhões de euros da britânica Zen8, uma sport tech desenvolveu uma plataforma que permite treinar natação sem recorrer a uma piscina.
Portugal pediu que fosse acionado o apoio da reserva agrícola da UE, numa altura em que se estima que os prejuízos no setor superem os 775 milhões de euros.
A Pixelmatters (já mencionada na nauta) fechou uma parceria com o escritório de advogados Fresh Legal Group para o serviço de softlanding, que ajuda empresas internacionais a instalar-se em Portugal.
As despesas com defesa a nível mundial deverão crescer 6,7% até 2035, segundo um relatório da Oliver Wyman
NAUTA DA SEMANA
Complear
Durante quatro anos, a Complear fez aquilo que muita startup sonha (e poucas conseguem): cresceu, faturou e deu lucro em silêncio. Agora, a tecnológica de Guimarães decidiu sair do modo stealth e levantar 10 milhões de euros numa ronda Série A para dar o próximo salto: levar o seu software de compliance digital da saúde para a defesa, entrar em áreas como drones e aviação… e aprender a “falar mandarim”, com a China no horizonte.
Mas afinal, o que faz a Complear?
A Complear desenvolveu uma plataforma de compliance digital que funciona como um GPS regulatório para sistemas críticos. Começou nos dispositivos médicos, ajudando empresas a navegar leis, standards europeus e até o AI Act sem perder o rumo nem falhar certificações. Agora, a mesma tecnologia está a ser aplicada a novos setores como defesa, aviação e sistemas autónomos, incluindo drones ou embarcações telecomandadas.
E o que vem a seguir?
Com uma equipa já dedicada à área da defesa, a empresa arrancou um projeto-piloto com o Exército e está em processos de certificação ligados à NATO. Em paralelo, prepara a entrada na Great Bay Area, na China, através de parcerias com parques científicos em Shenzhen, Hong Kong e Guangzhou. O plano, em teoria, é simples: escalar tecnologia portuguesa para mercados globais, entrar em novos setores regulados e provar que compliance não tem de ser um travão pode ser o motor.
CANTINHO DO EMPREENDEDORISMO
🩺 Biorce, a acelerar os ensaios clínicos - A healthtech Biorce, sediada em Barcelona e fundada por portugueses, levantou cerca de 44 milhões de euros numa ronda Série A, para acelerar a aplicação de IA em ensaios clínicos. A sua plataforma de IA, Aika, está assente numa base de dados com mais de 1 milhão de ensaios clínicos. O objetivo é tornar o desenvolvimento de novos tratamentos mais rápido e eficiente, reduzindo os custos na investigação médica. A Biorce planeia expandir-se internacionalmente, reforçar a equipa em 250 pessoas e abrir novos escritórios em Barcelona e nos EUA.
💡 A UPWind Energy, a gerar energia onde a rede elétrica falha - A spin-off da FEUP, UPWind Energy, criou um gerador portátil de energia eólica de alta altitude. A empresa, criada no SYSTEC, usa sistemas aéreos (AWES) que captam ventos fortes e consistentes ligados a um gerador no solo. Esta tecnologia inovadora promete energia limpa e sustentável em zonas remotas, substituindo geradores a diesel e facilitando a resposta em situações de catástrofe ou onde não há rede elétrica. O sistema é leve, fácil de instalar e gera eletricidade aproveitando ventos onde turbinas tradicionais não alcançam.
RECOMENDAÇÃO
Se puderes ir, vai. Se não puderes, também contas!
Amanhã é dia de votar. Sim, mesmo depois da tempestade Leonardo, dos guarda-chuvas virados do avesso, das barragens em overtime, e de muitas das ruas ainda caóticas, a democracia não pede céu azul pede presença, quando ela é possível. Se consegues sair para trabalhar, ir ao café ou reclamar do trânsito, também consegues passar pela mesa de voto. Leva o cartão de cidadão, leva a consciência e vota. E se, por razões reais, não conseguires ir, segurança primeiro o teu valor não diminui. A democracia também vive de quem cuida, ajuda e resiste. O país não muda sozinho, com um voto ou com um gesto, faça chuva ou faça história.
ABC DO DINHEIRO
Fluxos de Caixa
Fluxos de caixa referem-se às entradas e saídas de dinheiro de uma empresa, projeto ou indivíduo durante um determinado período. Incluem receitas provenientes de vendas, investimentos ou financiamentos, bem como pagamentos de despesas operacionais, salários, impostos e amortizações de dívidas. A análise dos fluxos de caixa é essencial para avaliar a liquidez, a capacidade de cumprir obrigações financeiras e a sustentabilidade económica, permitindo uma gestão financeira mais eficiente e decisões estratégicas informadas.
No adeus desta edição agradecemos todo o apoio que temos recebido até agora, sem isso não seria possível este nosso projeto. E se quiseres saber mais sobre a nauta, lançámos recentemente um whitepaper no nosso site! Muito obrigado por tudo!
Qualquer feedback construtivo é muito bem vindo em
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Memes


As cotações apresentam os resultados semanais dos ativos referenciados. As quatro primeiras são índices que combinam os desempenhos de conjuntos de empresas. O PSI é o índice português, o STOXX600 é o índice das 600 maiores empresas europeias, o S&P500 e o NASDAQ são ambos dos EUA. As seguintes quatro são mercadorias e moedas. EUR/USD é o câmbio entre o euro e o dólar americano, ouro e crude dizem respeito aos contratos contínuos de ambos, e bitcoin é a mais popular criptomoeda (em euros).
As quatro últimas são ações de empresas que tiveram desempenhos notáveis durante a semana. Nesta semana temos PLTR para a Palantir, RDDT para o Reddit, META para a Meta (dona do Facebook) e AMZN para a Amazon.
A nauta é uma newsletter semanal sobre a atualidade económica, financeira e empresarial, escrita em língua portuguesa. Não é jornalismo nem consultoria financeira, mas uma oportunidade para aprofundares os teus conhecimentos nestes temas e acompanhares o essencial do mundo dos negócios e mercados financeiros.
Escrita por João Ornelas Raínho, Mário de Pinto Balsemão e Nuno Martins,
com a colaboração de Cristina Berenguer.





