
Na corrida à entrada da bolsa, a SpaceX de Elon Musk poderá fundir-se com a xAI (antigo twitter e sucursal de inteligência artificial de Musk). Porém, a Tesla está em apuros e as novas revelações do caso Epstein comprometem Musk com emails que não batem certo com o suposto historial entre o broligarca e o pedófilo. Neste contexto, voltamos a publicar a nossa análise à carreira, e às motivações, de Elon Musk.
Embora inicialmente com espetacular aceitação entre ambientalistas, futuristas e nerds, a ascensão meteórica de Elon Musk culminou, em 2024, com uma traição às causas que o elevaram a “Deus da Internet”.
O seu apoio à candidatura de Donald Trump, vincado após a tentativa de assassinato ao então candidato à Presidência dos Estados Unidos da América (EUA), foi apenas a última machadada na reputação do homem mais rico deste planeta.
De um ponto de vista empresarial, se a Tesla é a empresa bandeira da sustentabilidade, como pode o seu CEO apoiar um homem que abandonou o Acordo de Paris?
É uma pergunta pertinente. No entanto, para quem conhece a carreira de Musk, este modus operandi não é surpresa. Aliás, foi assim que começou a carreira de Musk: a trair causas maiores, como um doutoramento em física e ciência dos materiais na Universidade de Standford, em virtude do dinheiro (criar uma espécie de versão digital das páginas amarelas).
Com o dinheiro da sua primeira startup (cerca de 300 milhões), fundou a sua segunda… um banco da internet que se transformou no PayPal e criou uma máfia de cromos de Silicon Valley (que eventualmente tiveram direito a uma edição da nauta).
Com o dinheiro do PayPal fundou a SpaceX e foi um dos primeiros investidores da Tesla. O resto é história - mas convém lembrar os pormenores:
O investimento público salvou a SpaceX (e a Tesla também);
Musk abandonou Trump durante o seu primeiro mandato.
Então, porque é que Musk traiu tudo em que acredita?
Será que é porque acredita que só Donald Trump pode “salvar” a democracia americana? Não, o mais provável são os preciosos cortes nos impostos e mais dinheiro público…
É que, no contexto das eleições norte-americanas de 2024, as suas empresas não estavam propriamente saudáveis.
A Tesla tinha caído 13% depois de anunciar maus resultados semestrais, mesmo depois do anúncio de que o Robotaxi seria finalmente revelado. A Tesla, pela primeira vez, enfrentava competição a sério e as coisas não estavam a correr bem. Esses eram os primeiros sinais de uma quebra da Tesla que tem durado até os dias de hoje.
Da desgraça que é o X, antigo Twitter, não vale a pena aprofundar muito.
Quanto à SpaceX, a Starship, essencial para colonizar Marte mas ainda mais importante para o contrato que a SpaceX assinou com a NASA, ainda não cumpriu os objetivos traçados.
Sobra a questão: porque quer mais dinheiro o homem mais rico do mundo?
Porque as suas empresas bebem capital intensamente e, segundo a mitologia, todas elas fazem parte do seu plano para colonizar o Planeta Vermelho:
Boring Company para fazer buracos onde humanos poderão habitar e se movimentar (assim como toda a infraestrutura);
X para testar como funciona um governo liderado pelos cidadãos, tipo democracia direta - se o povo for maioritariamente um conjunto de trolls a falar com bots russos e chineses;
Os tanques Cybertruck, da Tesla, serão usados para navegar a superfície de Marte, perigosa, desértica e com radiação não negligenciável;
As capacidades de gestão de energia da Tesla para otimizar e garantir a eletricidade da colónia, se a BYD não chegar lá primeiro;
Foguetes para infraestrutura de transporte (mas primeiro é preciso cumprir os contratos para com a NASA e meter um foguete na Lua).
É tudo louco, visão e ficção… mas também o eram foguetes reutilizáveis e veículos elétricos e cá estamos nós. Que o louco, neste caso, é o Henry Ford da indústria aeroespacial, ninguém pode dizer que não. E se a Marte chegar, ficamos todos nós a ganhar.
Há muitas edições atrás escrevemos sobre o plano de Sam Altman para se tornar o rei da Terra, este é o plano de Musk para ser o rei de Marte. Venha o diabo, provavelmente Donald Trump, e escolha!

Artigo, adaptado, originalmente escrito na edição semanal da nauta do dia 27 de julho de 2024.




