17 de janeiro de 2026

Boa tarde, coisinha sexy!
Esta semana escrevemos sobre o ataque de Trump à Reserva Federal, sobre os es vencedores e perdedores do Acordo Mercosul, e sobre o aviso da OCDE ao nosso país.
Vamos lá!

PSI 1,92%

STOXX600 1,05%

S&P500 -0,32%

NASDAQ -0,65%

EUR/USD -0,52%

OURO 0,47%

CRUDE 0,30%

BITCOIN 4,94%

PSKY -1,67%

TSLA 0,78%

NFLX -1,88%

GALP 5,01%

Dados obtidos às 13:05 do dia 17 de janeiro de 2026. Definições no final da nauta.

MERCADOS FINANCEIROS

Praça do Comércio

“O taxímetro ‘tá avariado, chefe.”

A notícia mais importante da semana: ataque à Reserva Federal!?

Jerome Powell, Presidente da Reserva Federal dos Estados Unidos da América (EUA), é neste momento o único homem que faz frente a Donald Trump, no mundo ocidental. No domingo passado, Powell anunciou que a Administração de Trump lançou uma investigação criminal ao Presidente da Fed (Reserva Federal, para os amigos)... Eis um resumo de como chegámos até este ponto:

A Fed, como a maioria dos bancos centrais modernos, tem dois objetivos que são extremamente difíceis de balançar:

  • estabilizar a inflação (geralmente à volta dos 2% anuais) para promover o crescimento da economia;

  • manter o desemprego no mínimo possível.

Para alcançar um equilíbrio saudável entre estes dois objetivos, a Fed tem poucas ferramentas. A principal é a determinação das taxas de juro:

  • Baixar as taxas de juro estimula a economia, reduzindo o desemprego e aumentando a inflação;

  • Aumentar as taxas de juro abranda a economia, aumentando o desemprego e reduzindo a inflação.

A inflação não pode ficar fora de controlo porque ninguém quer as suas poupanças dizimadas da noite para o dia. Igualmente, o desemprego não pode ficar fora de controlo porque as crises e recessões são catastróficas.

Powell sempre foi um nerd, no bom sentido. Em 2012, o então Presidente dos EUA, Barack Obama, nomeou Powell para o conselho administrativo da Fed, apesar de Powell ser Republicano. Em 2018, Powell tornou-se Presidente da Fed com o apoio de Trump.

Seguiu-se a pandemia, a eleição de Joe Biden (que continuou com Powell no comando), a guerra na Ucrânia, a inflação quase descontrolada e agora, o maior de todos os perigos: o 2.º mandato de Trump!

É que Powell, apesar de não ter conseguido estabilizar a inflação nos EUA, conseguiu a desejada soft landing (inglês para aterragem suave) após a inflação descontrolada do pós-pandemia. No entanto, estando tão perto do objetivo da Fed, Trump tem pressionado Powell para baixar as taxas de juro arbitrariamente. 

Mas por que raio Trump quer baixar as taxas de juro?

Demagogia! Baixar as taxas de juro irá, hipoteticamente, estimular os mercados financeiros, que servem de única bússola económica para o Louco da Casa Branca. Com os mercados “nas alturas”, Trump teria também mais margem de manobra para as suas tarifas e outras manias económicas. 

Entretanto, as grandes empresas continuam a alcançar novos recordes nas bolsas. A Google atingiu uma avaliação de 4 biliões recentemente. Os mercados não precisam de uma gestão irresponsável das taxas de juro, há até quem argumente que uma recessão poderá ser boa a longo-prazo, especialmente num contexto de uma possível bolha da Inteligência Artificial!

Em maio, Powell abandonará o cargo. Trump poderá escolher o seu lacaio favorito para suceder o Presidente da Fed. Até lá, ficou-se pelos insultos pessoais e, agora, pela instrumentalização do Departamento da Justiça para uma investigação criminal que ameaça a independência da Fed a um nível nunca antes visto.

Para além das reações negativas dos restantes bancos centrais do mundo ocidental, nem os mais fieis aliados de Trump, como Scott Bessent, estão contentes com este ataque à Fed. A ex-Presidente da Fed, Janet Yellen, diz que os mercados financeiros deveriam mostrar-se mais preocupados, enquanto que a Forbes escreve que a “falta de reação” dos investidores se deve ao facto de que a tentativa de Trump controlar a Fed tem como objetivo o melhor desempenho dos mercados financeiros, pelo que não há motivos para reagir.

Ao afirmar que a investigação criminal tem como objetivo condicionar a independência da Fed, Powell está a usar o poder secreto do seu mandato: a retórica. Assim, através do seu discurso, Powell procura convencer o mundo de que a Fed tem de permanecer livre das vontades do Presidente dos EUA. Para o bem de todos!

ECONOMIA

Vencedores e Perdedores no Mercosul

Após 25 anos de negociações, a União Europeia aprovou o maior acordo comercial da sua história. 

O acordo comercial UE- Mercosul cria uma área de livre comércio que abrange mais de 700 milhões de pessoas na Europa e na América Latina, eliminado mais de 90% das tarifas sobre as exportações europeias. Apesar do impacto económico estimado ser relativamente modesto (0,05% do PIB da UE até 2040), o acordo teve enorme peso político.

Para o Politico, entre os vencedores estão:

  • Giorgia Meloni, que garantiu concessões para agricultores italianos, obtendo uma vitória política interna; 

  • a indústria automobilística alemã que expande o mercado de compradores numa altura difícil; 

  • Ursula von der Leyen, que conseguiu articular o apoio político; 

  • e parte dos agricultores europeus, protegidos por cotas e subsídios (45 mil milhões em fundos europeus).

E entre os perdedores estão:

  • Emmanuel Macron, que obtém mais uma derrota; 

  • Donald Trump, cuja visão protecionista perde espaço; 

  • a China, que pode perder quotas mercado e influência na América Latina; 

  • e a Amazónia, pressionada pela expansão da pecuária, apesar de existirem salvaguardas ambientais no acordo.

A ACONTECER

Quem avisa, OCD-É - No Economic Survey, a OCDE reconheceu que a economia portuguesa tem sido resiliente, com crescimento robusto, emprego em máximos históricos e redução da dívida pública. Contudo, alerta para desafios estruturais: envelhecimento demográfico, escassez de mão de obra, baixa produtividade, pressão na habitação e impacto das alterações climáticas. Segundo a OCDE, Portugal precisa de reformas e investimento inteligente para transformar esta resiliência em crescimento sustentável de longo prazo.

Rapidinhas

O Governo prometeu reforçar a literacia financeira dos jovens, com conteúdos obrigatórios de educação financeira nas escolas a partir deste ano letivo.

O Ministro das Finanças admitiu que o OE ainda é gerido com um “Excel dos Flintstones” e prometeu uma revolução tecnológica na administração central.

A Ministra do Ambiente anunciou que os sacos de plástico ultraleves nos supermercados serão substituídos por sacos reutilizáveis, e mais resistentes.

Após quase 20 anos, o Governo atualizou as normas para a gestão da dívida pública, introduzindo limites mais rigorosos e novos instrumentos de investimento para o IGCP.

Os donos da empresa das salsichas Izidoro (não confundir com o tio Izidório) compraram a totalidade da empresa por 1,4 milhões de euros.

O Governo da Madeira pretende criar um mecanismo de capital de risco, gerido pela Secretaria Regional da Economia, para apoiar empresas e startups que querem criar valor na região.

A TAP anunciou um investimento de 20 milhões de euros para a criação de um hub de manutenção no Porto com 200 empregos, além de novas rotas.

A partir de 10 de abril, todas as garrafas e latas de bebidas vão incluir uma taxa de depósito de 10 cêntimos, que será devolvida ao consumidor quando a embalagem vazia for entregue num ponto de recolha. 

Portugal será representado no Fórum Económico Mundial em Davos por membros do Governo e líderes de empresas como EDP, Galp, Sonae e jovens talentos em IA.

Ursula von der Leyen afirmou que a UE está a trabalhar para se tornar numa potência militar

A empresa de capital de risco do ex-piloto de F1, Nico Rosberg, fechou a sua terceira terceira ronda de financiamento, no valor de 86 milhões de euros. 

NAUTA DA SEMANA
Goparity

A Goparity decidiu que ficar quieta não era opção. Em vez disso, fez as malas, atravessou a fronteira e voltou com uma aquisição estratégica debaixo do braço: a espanhola Bolsa Social. Esta aquisição não é só geográfica, uma vez que indica que a fintech* portuguesa entra oficialmente no mundo do equity crowdfunding, adicionando uma nova camada à forma como se investe com impacto. Espanha foi o primeiro destino, mas o plano é claramente de voo mais longo.

Mas afinal, o que é a Goparity?

Trata-se de uma plataforma que permite investir dinheiro em projetos com impacto social e ambiental positivo. Até aqui, o foco estava sobretudo em empréstimos com rentabilidade fixa. Com a Bolsa Social no portefólio, passa a ser possível também investir diretamente no capital de empresas de impacto. Mais opções, mais diversificação, menos “todos os ovos no mesmo cesto”  até porque este cesto quer mudar o mundo. Juntas, as duas plataformas somam mais de 72 mil investidores, milhares de projetos financiados e mais de 56 milhões de euros mobilizados para impacto desde a fundação da Goparity.

E o que vem a seguir?

O plano passa por integrar totalmente as duas plataformas até abril e lançar o primeiro projeto de equity já em maio de 2026. Pelo caminho, a Goparity quer chegar aos 20 mil utilizadores em Espanha e atingir 13,5 milhões de euros investidos em projetos ibéricos no próximo ano. Porque investir com impacto pode ser sério  mas não precisa de ser aborrecido. Afinal, crescer de forma sustentável também é uma forma de ganhar.

CANTINHO DO EMPREENDEDORISMO

🛰️ Anda comigo ver os satélites - O Centro de Engenharia e Desenvolvimento (CEiiA) investiu cerca de 15,5 milhões de euros em dois novos satélites para reforçar a Constelação do Atlântico. Os dois satélites serão entregues no segundo trimestre de 2026, juntando-se ao GeoSat-2 e ao VHR Light, que está a ser desenvolvido e fabricado em Matosinhos. A Constelação do Atlântico, apontada como exemplo da aposta na defesa europeia, faz parte da agenda NewSpace Portugal e conta com o apoio do PRR.

RECOMENDAÇÃO

Quem Quer Belém? Guia Rápido aos 11 Candidatos nas Presidenciais 2026

Se queres perceber quem está na corrida pelo Palácio de Belém em 2026 e o que isso pode significar para Portugal, este artigo é leitura obrigatória. As eleições presidenciais de 18 de janeiro (amanhã) trazem um recorde de 11 candidatos validados pelo Tribunal Constitucional, que vão disputar a sucessão a Marcelo Rebelo de Sousa.  Desde nomes tradicionais como Luís Marques Mendes e António José Seguro até outsiders como o músico Manuel João Vieira, a misturar propostas sérias e outras, digamos, mais criativas. Fica aqui um panorama claro de quem é quem na corrida a Belém, o contexto eleitoral e porque muitos analistas prevêem uma segunda volta a 8 de fevereiro.

ABC DO DINHEIRO
Fintech

As fintech são empresas que combinam tecnologia com serviços financeiros, utilizando inovação digital para criar ou melhorar serviços como pagamentos, crédito, seguros ou investimentos, tornando-os mais rápidos, simples e acessíveis. O seu objetivo é agilizar processos, reduzir custos e melhorar a experiência dos utilizadores, recorrendo a ferramentas tecnológicas como aplicações móveis, algoritmos e plataformas online, sempre com atenção à segurança dos dados e à regulação do setor financeiro. 

No adeus desta edição, desejamos-te um bom dia de reflexão eleitoral!

Qualquer feedback construtivo é muito bem vindo em
[email protected]!

Memes

Qualquer desculpa é boa para despejar estrume em edifícios governamentais!

As cotações apresentam os resultados semanais dos ativos referenciados. As quatro primeiras são índices que combinam os desempenhos de conjuntos de empresas. O PSI é o índice português, o STOXX600 é o índice das 600 maiores empresas europeias, o S&P500 e o NASDAQ são ambos dos EUA. As seguintes quatro são mercadorias e moedas. EUR/USD é o câmbio entre o euro e o dólar americano, ouro e crude dizem respeito aos contratos contínuos de ambos, e bitcoin é a mais popular criptomoeda (em euros).

As quatro últimas são ações de empresas que tiveram desempenhos notáveis durante a semana. Nesta semana temos PSKY para a Paramount Skydance, TSLA para a Tesla, NFLX para a Netflix e GALP para a Galp.

A nauta é uma newsletter semanal sobre a atualidade económica, financeira e empresarial, escrita em língua portuguesa. Não é jornalismo nem consultoria financeira, mas uma oportunidade para aprofundares os teus conhecimentos nestes temas e acompanhares o essencial do mundo dos negócios e mercados financeiros.

Escrita por João Ornelas Raínho, Mário de Pinto Balsemão e Nuno Martins,
com a colaboração de Cristina Berenguer.