A nauta faz, todos os anos, previsões anuais. Na edição da semana passada fizemos uma revisão das nossas previsões, com nota positiva. Agora, calhou à nossa estagiária tentar adivinhar o futuro. Vamos lá!
Quer se goste ou não (e nós não gostamos), vivemos na Era de Trump. O Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), mais do que ninguém, é o catalisador de todos os grandes acontecimentos do presente. O ano passado ficou marcado pelo seu primeiro ano deste mandato. Faltam mais 3 anos de catalisador e, em 2026, continuará a ser ele a bússola do caos. Para onde irá apontar? Isso só ele sabe.
Assim, vamos lá às tendências:
Europa: balas ou bolinhos?

Ursula von der Leyen terá de liderar a União Europeia durante a Tempestade Trump.
O índice bolsista Europeu, o STOXX600, teve um 2025 acima das nossas expectativas. A União Europeia, graças ao excelente trabalho do Banco Central Europeu, mostrou-se pronta para enfrentar as tarifas e manias de Trump. Porém, o cerco continua…
Controlar a inflação vem com custos a longo-prazo. A batata quente passou para os governos nacionais e agora é preciso reduzir défices, aumentar impostos, cortar nas despesas e aumentar orçamentos de defesa. Mas conseguir tudo isto implica conseguir mais crescimento económico, será possível?
Não sabemos. Mas algures entre as muitas escolhas que os eleitos (e os não eleitos) terão de fazer por todos nós está a escolha entre balas (orçamento de defesa) e bolinhos (orçamentos ecológicos dedicados à transição energética). Não nos enganemos, as alterações climáticas são tanto uma questão de segurança nacional quanto os Estados velhacos, mas ninguém em Bruxelas vai pensar nesses termos.
Assim, com ainda mais pressão para apoiar a Ucrânia, com ameaças à Gronelândia e com a Rússia cada vez mais traiçoeira, a nossa União terá de escolher onde apostar. Há esperança, pois sempre que enfrentou uma crise, a Europa, unida, encontrou uma oportunidade.

Os ataques de Donald Trump à independência da Reserva Federal continuarão.
EUA: assalto à casa branca?
É ano de Midterms, eleições que servem de teste intercalar à Administração de Trump. Caso chumbe nesse teste, Trump já prevê a sua destituição às mãos dos Democratas.
Ou seja… é ano de tudo ou nada para os Republicanos. Os EUA, ao contrário da Europa, ainda não controlaram a inflação e o crescimento poderá estagnar. Os norte-americanos tendem a votar com a carteira e portanto estas eleições poderão alterar o status quo, como aconteceu em Nova Iorque.
Podemos esperar escaladas na retórica e na violência política. O movimento MAGA quer um terceiro mandato de Trump, contra a constituição. Para isso precisam de vencer em 2026 e estão dispostos a fazê-lo a todo o custo.

As receitas da OpenAI serão um dos indicadores chave para avaliar se a revolução da Inteligência Artificial é real.
IA: já não vai?
Nas nossas previsões para 2024 falámos de um ano crítico para a Inteligência Artificial. Falhámos. O ano crítico será 2026 e a questão fundamental é bolha ou não?
Ninguém sabe a resposta. Porém, todos sabemos onde procurar: valor acrescentado comparado com o investimento gasto na tecnologia. São más notícias para os leitores da nauta…
Há duas hipóteses:
A IA é uma bolha e o seu colapso provavelmente arrastará os mercados financeiros para uma crise (mesmo que restrita);
A IA não é uma bolha e o seu valor real resulta na destruição de empregos de entrada para recém-graduados.

Shenzhen, regularmente referida como o Vale do Silicone Chinês.
China: Little Trouble in Big Shenzhen
Um dos nossos estagiários esteve quase a fazer Erasmus na Universidade de Tsinghua, formadora de quadros do Partido Comunista. É um interesse persistente que nos permitiu acertar no caso da DeepSeek antes de Financial Times, The Economist e Bloomberg.
Eis mais umas previsões sobre a China… o Governo irá focar-se na adoção da IA de forma integrada na economia, de modo a produzir valor acrescentado real. Ao mesmo tempo, as startups chinesas que criam modelos de IA irão “colonizar” os países em desenvolvimento, através dos seus agentes.
Se fosse só isto estava “tudo bem”, porém as restrições à NVIDIA (e outras produtoras de chips) provocaram a indústria chinesa… A fábrica do mundo vê-se obrigada a inovar na indústria dos semicondutores e é uma questão de tempo até ter sucesso.

Com Portugal a dar cartas na indústria aeroespacial, que lugar terá o nosso país na Nova Economia do Espaço?
Espaço: guerra das estrelas?
Se semicondutores na China não são uma previsão particularmente audaz e que tal… semicondutores no espaço? É essa a promessa da startup Starcloud. Computação em órbita parece ficção científica, e por agora é, mas até as gigantes europeias como a Thales estão a ponderar meter data centers no espaço sideral.
Mas, infelizmente, a última fronteira não se ficará pela ficção científica. No ano em que a Humanidade poderá voltar à Lua, o espaço será cada vez mais militarizado.

À medida que os EUA e a China exercem cada vez mais poder nos seus hemisférios, as trombetas de guerra começam a soar.
Mundo: guerra ou paz?
Geopoliticamente falando, a grande questão que é levantada é: como será a nova ordem mundial?
Especialistas com teorias não terão a resposta a essa pergunta, que depende dos humores do Louco na Casa Branca. No entanto, a tendência parece favorecer superpotências capazes de exercer a sua vontade na sua vizinhança (como acabou de acontecer na Venezuela).
Os investimentos em orçamentos de defesa estão a aumentar e as retóricas de agressão também. Não é bom sinal.
Mas há uma luz no fundo do túnel… Trump precisa de ganhar as Midterms e, na ausência de uma economia agradável para a classe média, paz na Ucrânia e no Médio Oriente seriam ótimos trunfos. O populismo nem sempre é mau, Sr. Trump!
Artigo originalmente escrito na edição semanal da nauta do dia 10 de janeiro de 2026.





