10 de janeiro de 2026

Boa tarde, coisinha sexy!
Esta semana escrevemos sobre a indústria petrolífera, sobre o acordo UE-Mercosul, e fazemos as nossas previsões para 2026.
Vamos lá!

PSI 1,70%

STOXX600 1,73%

S&P500 1,00%

NASDAQ 1,34%

EUR/USD -0,70%

OURO 2,38%

CRUDE 3,19%

BITCOIN -2,74%

PSKY -8,15%

AMZN 8,11%

NFLX -1,63%

GALP 7,33%

Dados obtidos às 11:22 do dia 10 de janeiro de 2026. Definições no final da nauta.

MERCADOS FINANCEIROS

Praça do Comércio

A notícia mais importante da semana: indústria petrolífera norte-americana prepara-se para voltar à Venezuela!

Uma semana após a operação militar especial que removeu Nicolás Maduro, a Administração dos Estados Unidos da América (EUA) avança na sua “gestão” da Venezuela. Com as ações petrolíferas dos EUA a terem ganhos diários astronómicos nas bolsas, Trump pede à indústria para investir 100 mil milhões de dólares na infraestrutura venezuelana.

No entanto, nenhuma empresa se comprometeu… por agora. É que as gigantes norte-americanas estão relativamente saudáveis e como diz o “patrão” da Exxon Oil, a Venezuela não é um bom investimento, pelo menos enquanto não houver segurança, justiça e um quadro fiscal competitivo.

Porém, há algumas “forasteiras” europeias interessadas. A espanhola Repsol diz conseguir triplicar a sua produção na Venezuela durante os próximos anos. 

Mantém-se a questão: será que a administração dos EUA será melhor do que a gestão venezuelana?

A novela do streaming continua: Warner Bros. Discovery rejeita Paramount e deseja Netflix!

Relembramos que a dona da HBO, a Warner Bros. Discovery, está atualmente no centro de uma aquisição que poderá cair para a Netflix ou para a Paramount. No episódio mais recente desta novela, a Warner Bros. rejeitou a proposta da Paramount (mais uma vez), preferindo a proposta da Netflix. Porém, a temporada ainda não acabou e a Paramount começou a dividir os investidores da Warner Bros.

No nosso retângulo: Galp procura escala continental!

A “nossa” petrolífera não teve um ano fantástico, com as ações a caírem mais de 4% ao longo de 2025. Consequência da venda de 40% da descoberta da Namíbia à francesa TotalEnergies sem um encaixe financeiro imediato. 

Ações da Galp ao longo do último ano, em euros.

Agora, a Galp entrou em negociações com a espanhola Moeve (antiga Cepsa) para fundir as atividades das duas empresas especificamente nas áreas downstream (refinaria e distribuição dos combustíveis). Esta aliança poderá resultar numa nova gigante à escala europeia. Porém, o processo é complicado e terá de passar por Bruxelas.

Em breve: Strava prepara arrancada!

A rede social de fitness, Strava, caminha a passos largos para entrar nas bolsas após preparar a sua oferta pública inicial (na qual os investidores poderão comprar ações da empresa). 

ECONOMIA

6 Tendências para 2026

A estagiária da nauta decidiu vestir-se de bruxa e fazer previsões para o próximo ano.

A nauta faz, todos os anos, previsões anuais. Na edição da semana passada fizemos uma revisão das nossas previsões, com nota positiva. Agora, calhou à nossa estagiária tentar adivinhar o futuro. Vamos lá!

Quer se goste ou não (e nós não gostamos), vivemos na Era de Trump. O Presidente dos EUA, mais do que ninguém, é o catalisador de todos os grandes acontecimentos do presente. O ano passado ficou marcado pelo seu primeiro ano deste mandato. Faltam mais 3 anos de catalisador e, em 2026, continuará a ser ele a bússola do caos. Para onde irá apontar? Isso só ele sabe.

Assim, vamos lá às tendências:

  1. Europa: balas ou bolinhos?

O índice bolsista Europeu, o STOXX600, teve um 2025 acima das nossas expectativas. A União Europeia, graças ao excelente trabalho do Banco Central Europeu, mostrou-se pronta para enfrentar as tarifas e manias de Trump. Porém, o cerco continua

Controlar a inflação vem com custos a longo-prazo. A batata quente passou para os governos nacionais e agora é preciso reduzir défices, aumentar impostos, cortar nas despesas e aumentar orçamentos de defesa. Mas conseguir tudo isto implica conseguir mais crescimento económico, será possível?

Não sabemos. Mas algures entre as muitas escolhas que os eleitos (e os não eleitos)  terão de fazer por todos nós está a escolha entre balas (orçamento de defesa) e bolinhos (orçamentos ecológicos). Não nos enganemos, as alterações climáticas são tanto uma questão de segurança nacional quanto os Estados velhacos, mas ninguém em Bruxelas vai pensar nesses termos.

Assim, com ainda mais pressão para apoiar a Ucrânia, com ameaças à Gronelândia e com a Rússia cada vez mais traiçoeira, a nossa União terá de escolher onde apostar. Há esperança, pois sempre que enfrentou uma crise, a Europa, unida, encontrou uma oportunidade. 

  1. EUA: assalto à casa branca?

É ano de Midterms, eleições que servem de teste intercalar à Administração de Trump. Caso chumbe nesse teste, Trump já prevê a sua destituição às mãos dos Democratas.

Ou seja… é ano de tudo ou nada para os Republicanos. Os EUA, ao contrário da Europa, ainda não controlaram a inflação e o crescimento poderá estagnar. Os norte-americanos tendem a votar com a carteira e portanto estas eleições poderão alterar o status quo, como aconteceu em Nova Iorque.

Podemos esperar escaladas na retórica e na violência política. O movimento MAGA quer um terceiro mandato de Trump, contra a constituição. Para isso precisam de vencer em 2026 e estão dispostos a fazê-lo a todo o custo.

  1. IA: já não vai?

Nas nossas previsões para 2024 falámos de um ano crítico para a Inteligência Artificial. Falhámos. O ano crítico será 2026 e a questão fundamental é bolha ou não?

Ninguém sabe a resposta. Porém, todos sabemos onde procurar: valor acrescentado comparado com o investimento gasto na tecnologia. São más notícias para os leitores da nauta… 

duas hipóteses: 

  1. A IA é uma bolha e o seu colapso provavelmente arrastará os mercados financeiros para uma crise (mesmo que restrita);

  2. A IA não é uma bolha e o seu valor real resulta na destruição de empregos de entrada para recém-graduados. 

  1. China: Little Trouble in Big Shenzhen

Um dos nossos estagiários esteve quase a fazer Erasmus na Universidade de Tsinghua, formadora de quadros do Partido Comunista. É um interesse persistente que nos permitiu acertar no caso da DeepSeek antes de Financial Times, The Economist e Bloomberg.

Eis mais umas previsões sobre a China… o Governo irá focar-se na adoção da IA de forma integrada na economia, de modo a produzir valor acrescentado real. Ao mesmo tempo, as startups chinesas que criam modelos de IA irão “colonizar” os países em desenvolvimento, através dos seus agentes. 

Se fosse só isto estava “tudo bem”, porém as restrições à NVIDIA (e outras produtoras de chips) provocaram a indústria chinesa… A fábrica do mundo vê-se obrigada a inovar na indústria dos semicondutores e é uma questão de tempo até ter sucesso.

  1. Espaço: guerra das estrelas?

Se semicondutores na China não são uma previsão particularmente audaz e que tal… semicondutores no espaço? É essa a promessa da startup Starcloud. Computação em órbita parece ficção científica, e por agora é, mas até as gigantes europeias como a Thales estão a ponderar meter data centers no espaço sideral.

Mas, infelizmente, a última fronteira não se ficará pela ficção científica. No ano em que a Humanidade poderá voltar à Lua, o espaço será cada vez mais militarizado.

  1. Mundo: guerra ou paz?

Geopoliticamente falando, a grande questão que é levantada é: como será a nova ordem mundial?

Especialistas com teorias não terão a resposta a essa pergunta, que depende dos humores do Louco na Casa Branca. No entanto, a tendência parece favorecer superpotências capazes de exercer a sua vontade na sua vizinhança (como acabou de acontecer na Venezuela). 

Os investimentos em orçamentos de defesa estão a aumentar e as retóricas de agressão também. Não é bom sinal.

Mas há uma luz no fundo do túnel… Trump precisa de ganhar as Midterm e, na ausência de uma economia agradável para a classe média, paz na Ucrânia e no Médio Oriente seriam ótimos trunfos. O populismo nem sempre é mau, Sr. Trump!

A ACONTECER

👩‍🌾🤝 25 years in the making - O acordo comercial União Europeia - Mercosul foi finalmente aprovado, após 25 anos de negociações! A Comissão Europeia prometeu apoiar os agricultores europeus, antecipando 45 mil milhões de euros. A Itália votou a favor, quebrando o impasse, mas não sem antes pedir a suspensão de um imposto de carbono para baixar o preço dos fertilizantes. Podes saber mais sobre este acordo comercial nesta edição da nauta.

🔑 Pacotão aprovado - As propostas de lei do pacote de habitação do Governo foram aprovadas na generalidade no parlamento. Em causa estão medidas de desagravamento fiscal para incentivar o arrendamento e a construção a preços moderados, e alterações ao licenciamento, urbanização e reabilitação urbana.

Rapidinhas

Os analistas do JP Morgan estão a estimar uma probabilidade de 50% de a Moody’s rever em alta o rating* de Portugal na avaliação agendada para 22 de maio.

O Governo já entregou 94% da garantia pública para a compra de casa por jovens aos bancos, faltando distribuir menos de 90 milhões de euros. 

Segundo os dados do Eurostat, a inflação na Zona Euro caiu para 2% em dezembro, atingindo a meta de estabilidade de preços do BCE.

Trump irá aumentar em 50% o orçamento de Defesa dos EUA para 2027, devido à conjuntura global “turbulenta e perigosa”, a ser financiado com a receita das tarifas.

A administração Trump pretende retira os EUA de dezenas de organizações internacionais, e suspender o financiamento. A maioria das organizações está relacionada com a ONU.

O banco norte-americano Morgan Stanley planeia lançar ETFs vinculados ao preço das criptomoedas Bitcoin e Solana. 

A OpenAI lançou o ChatGPT Health, uma nova ferramenta do ChatGPT só para saúde. O objetivo é ajudar a perceber padrões de saúde ou a compreender resultados de exames.

A IA de Elon Musk, Grok, limitou a geração de imagens apenas para assinantes pagos. A decisão ocorreu após notícias que estavam a ser gerados deepfakes sexualizados de mulheres e crianças.

NAUTA DA SEMANA
Nixar

Imagina seres uma PME e quereres trabalhar com influencers, mas sem contratos confusos, fees astronómicas ou aquela sensação de “isto deu likes, mas não deu vendas”. A Nixar entra exatamente aí. A startup portuguesa acaba de receber investimento do Angels Way, o nono do fundo, elevando para 450 mil euros o capital já aplicado por mais de 400 angel investors. A nova aposta consiste num modelo onde o marketing de influência deixa de ser um salto de fé e passa a ser um negócio mensurável.

Mas afinal, o que é a Nixar?

A Nixar é uma plataforma de marketing de influência com inteligência artificial, incubada na UPTEC, que faz o match entre marcas e criadores de conteúdo de todo o mundo sem castings infinitos nem “manda-me o teu media kit”. Liderada por Luís Roque, ex-co-fundador da HUUB, a solução aposta num modelo simples e justo: as marcas só pagam quando há vendas e os criadores recebem 50% da receita, bem acima do que é habitual nas agências tradicionais - likes são giros, mas conversões pagam contas.

E os planos para o futuro?

Com o social commerce a crescer mais de 30% ao ano e cada vez mais compras a acontecer diretamente nas redes sociais, a Nixar quer posicionar-se como a ponte entre atenção e faturação. O objetivo passa por escalar a plataforma, apoiar PME do setor da moda e conquistar um mercado global avaliado em 630 mil milhões de euros. Porque no fim do dia, influenciar é bom, mas vender é melhor.

CANTINHO DO EMPREENDEDORISMO

🩺 As MedTech tugas a bombar - As MedTechs portuguesas Metablue Solution e Ablute foram distinguidas no Demo Day do programa europeu InnoMedCatalyst, dedicado à Medicina 5P. Entre 18 startups de nove regiões europeias, a Metablue Solutions conquistou o prémio de Best Pitch e a Ablute foi reconhecida como Best Market Potential. A Metablue Solution desenvolve soluções de saúde digital, incluindo dispositivos para monitorizar a saúde auditiva infantil. A Ablute aposta em tecnologia de monitorização inteligente da saúde através da análise de urina.

🚀 Portugal, a caminho do espaço - Nos próximos três anos, o programa ESA BIC, da Agência Espacial Europeia (ESA), será implementado em Portugal por dois consórcios liderados pelo Instituto Pedro Nunes, o ESA BIC Centro+ em Coimbra, e pelo Instituto Superior Técnico, o ESA BIC Tagus+ em Lisboa. Entre os parceiros de incubação estão o Centro Empresarial de Pampilhosa da Serra, o Incuba+ Santa Maria (Açores), a Incubadora Taguspark, o Técnico Venture Lab e a Incubadora da Escola do Mar dos Açores, entre outros. Cada consórcio poderá apoiar até 6 startups por ano, com 2,8 milhões de euros para financiamento, mentoria e aceleração tecnológica. 

RECOMENDAÇÃO

Mais segurança, menos adrenalina: assim investem os portugueses

Se investir fosse uma festa, os portugueses ficavam perto da mesa dos salgadinhos seguros, previsíveis e sem surpresas. Este artigo revela como se distribuem os portugueses quando procuram fazer o seu dinheiro render,  e como os depósitos a prazo, PPR e certificados continuam a ser os favoritos, com quase metade a assumir um perfil conservador. Ouro, ações e fundos aparecem, mas com cautela. O barómetro confirma: por cá, preservar o dinheiro ainda pesa mais do que fazê-lo crescer rápido.

ABC DO DINHEIRO
Rating

Rating é a avaliação do nível de risco de crédito de um país, empresa ou instrumento financeiro. A avaliação do nível de risco tem em conta a situação económico-financeira e perspetivas de futuras, avaliando a capacidade de a respetiva entidade emitente proceder ao cumprimento atempado do serviço da dívida. Classificações mais altas significam menor risco e maior confiança dos investidores; ratings mais baixos indicam maior risco e custos de financiamento mais elevados. O rating é atribuído por agências especializadas, como a Moody’s, Standard & Poor's, ou Fitch.

No adeus desta edição, aproveitamos para realçar que chegámos agora à centésima edição na plataforma beehiiv, onde somos pioneiros em Portugal. Assim, é com muito gosto que celebramos esta métrica deste nosso projeto. Queremos agradecer-te a ti também, coisinha sexy, sem ti não seria possível!

Qualquer feedback construtivo é muito bem vindo em
[email protected]!

Memes

As cotações apresentam os resultados semanais dos ativos referenciados. As quatro primeiras são índices que combinam os desempenhos de conjuntos de empresas. O PSI é o índice português, o STOXX600 é o índice das 600 maiores empresas europeias, o S&P500 e o NASDAQ são ambos dos EUA. As seguintes quatro são mercadorias e moedas. EUR/USD é o câmbio entre o euro e o dólar americano, ouro e crude dizem respeito aos contratos contínuos de ambos, e bitcoin é a mais popular criptomoeda (em euros).

As quatro últimas são ações de empresas que tiveram desempenhos notáveis durante a semana. Nesta semana temos PSKY para a Paramount Skydance, AMZN para a Amazon, NFLX para a Netflix e GALP para a GALP.

A nauta é uma newsletter semanal sobre a atualidade económica, financeira e empresarial, escrita em língua portuguesa. Não é jornalismo nem consultoria financeira, mas uma oportunidade para aprofundares os teus conhecimentos nestes temas e acompanhares o essencial do mundo dos negócios e mercados financeiros.

Escrita por João Ornelas Raínho, Mário de Pinto Balsemão e Nuno Martins,
com a colaboração de Cristina Berenguer.