Marco Polo encontra-se com Kublai Khan, 1274.

Marco!?

A Rota da Seda foi uma rede de rotas comerciais que ligava a China ao Mediterrâneo, facilitando o intercâmbio de mercadorias, como seda, especiarias e porcelana, entre o Oriente e o Ocidente, tornada famosa por um certo explorador veneziano.

Desde o início da guerra na Ucrânia que a Europa tem procurado novas rotas da seda. E os países do Cáucaso e da Ásia Central estão a investir em comboios, estradas e portos para atrair comércio este-oeste.

Aqui entra a confusão típica dos “istãos” — que não são “Tristãos” — mas não te preocupes, nós temos um mapa para não te perderes!

As novas rotas da seda

O Cazaquistão é hoje o principal eixo de trânsito entre a China e a União Europeia, com destaque para o Corredor Médio (TITR), que ganhou importância desde 2022. Outros países da Ásia Central, como o Turquemenistão e o Uzbequistão, procuram diversificar as suas rotas comerciais para reduzir a dependência da Rússia, apostando em ligações com o Mar Cáspio, o Irão e o Sul da Ásia.

No Cáucaso, Azerbaijão e Geórgia desempenham um papel estratégico como ligação entre a Ásia Central e a Europa, graças aos seus portos e à passagem de vários corredores de transporte, como o TRACECA e o Lápis-Lazuli. Com estabilidade política e investimentos em infraestruturas, a região poderá tornar-se um eixo central do comércio euro-asiático nas próximas décadas.

O Corredor Médio, ou Rota de Transporte Trans-cáspio (TITR), não só é uma alternativa ao transporte através da Rússia, como reduz o tempo de viagem em cerca de 5-10 dias.

Os interesses europeus

Os “istãos” são muito importantes no panorama geopolítico e no comércio global. São países em desenvolvimento, que saíram não há muitos anos do jugo soviético, e que estão a liberalizar as suas economias (em termos gerais).

A influência europeia na Ásia Central não só abre novos corredores de comércio (criando alternativas no caso de conflito), como fornece acesso a um vasto leque de recursos naturais, como o urânio, petróleo, gás natural e terras raras. E não só… permite também que a Europa contrabalance a influência de outras potências na região!

Se a Europa quer afirmar-se no plano global tem de conseguir posicionar-se como alternativa à influência chinesa, russa e americana.

Eticamente falando…

Na primeira cimeira entre a União Europeia e a Ásia Central, realizada em Samarcanda, no Uzbequistão, os líderes dos “istãos” destacaram a importância de reforçar as relações com a UE, bem como o valor estratégico e económico das suas nações para a Europa. No entanto, nem tudo vão ser rosas: a instabilidade política, a corrupção e os regimes ditatoriais e repressivos que muitos destes países têm complicam as relações económicas e éticas entre o Velho Continente e este novo… Pólo! (comercial).

Artigo, adaptado, originalmente escrito na edição semanal da nauta do dia 17 de maio de 2025.

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