Todos podemos ter acesso a um cartão de crédito, mas existem duas perspetivas  sobre os mesmos por parte dos consumidores: aqueles que pensam que não devemos usá-los, porque implica um pagamento de juros se nos atrasarmos no pagamento e aqueles que o utilizam como uma ferramenta, tirando partido das vantagens que eles têm. Quem está correto? Será que os cartões de crédito são uma dívida má? 

Os cartões de crédito são instrumentos que permitem fazer pagamentos e levantar dinheiro a crédito, ou seja, emprestado. Esta solução permite, por isso, comprar (mesmo quando não tens dinheiro disponível na tua conta à ordem, sem incorrer no pagamento de  juros) e pagar depois, em prazos que podem variar entre os 30 e 50 dias. Estes cartões podem  ser pagos de duas maneiras diferentes: Pagamento Integral (100% da dívida sem pagamento de juros) ou Pagamento Parcial (de acordo com percentagens fixas). Caso os utilizadores  optem pelo pagamento parcial, pagam juros sobre o valor não reembolsado.

Principais vantagens dos cartões de crédito e cuidados a ter

Dentro das vantagens dos cartões de crédito, destacam-se o cash advance e cashback,  meio de pagamento aceite em todo o mundo, possibilidade de fazer pagamentos online, etc…

O que são o cashback e cash advance? 

  • Um cartão com a funcionalidade de cashback permite-te receber uma percentagem  (definida pela instituição financeira emissora do cartão, 1% a 3%, normalmente), do  valor dos pagamentos registados no mês anterior, nomeadamente em lojas associadas.  A devolução desse montante pode ser feita para a conta associada ao cartão.  

  • O cash advance é a possibilidade de levantar dinheiro a crédito, como referido  anteriormente

Mas existem muitas opções de cartões de crédito. Como escolher a melhor? É preciso conhecer os custos associados a estes cartões, para que os consumidores  possam comparar e escolher a melhor opção.  

  • Comparar a TAEG. Dentro deste custo estão presentes a comissão de disponibilização (anuidade), comissões por levantamentos em caixas automáticas, comissões por utilização no estrangeiro, custos de seguros associados ao cartão e custos de  reembolso antecipado, caso pretenda liquidar a dívida acumulada. 

  • Comparar a taxa de esforço. Esta taxa mostra que percentagem do seu rendimento  mensal está comprometida com dívidas. Ou seja, se um agregado familiar pagar 300 euros de juros todos os meses e o seu rendimento líquido for de 1000 euros, a taxa de  esforço é de 30% (300/1000 * 100).

A melhor forma de usar estes cartões é controlares as tuas despesas. Evita usar o limite  máximo: Manter o saldo utilizado abaixo de 30% do plafond demonstra gestão financeira  responsável, tem atenção ao cash advance, levantamentos de dinheiro a crédito têm custos  adicionais elevados, por isso, utiliza esta funcionalidade apenas em emergências, tira proveito  do período de isenção de juros e garante o reembolso sem custos. 

Como saber se estás a ter boas práticas com o teu cartão de crédito

Muitos sinais de má utilização destes cartões passam despercebidos. Pequenos hábitos  tornam-se rapidamente numa dívida difícil de travar. Saber identificá-los é o primeiro passo  para evitar problemas. 

Dependendo dos benefícios do cashback, talvez não faça sentido recorrer aos cartões  de crédito para cobrir as despesas básicas, como supermercado, renda, luz, água, etc. A utilização recorrente de levantamentos com este cartão (cash advance) também  pode ser um sinal de má utilização, porque está associado a juros e comissões elevadas.  Existem opções de crédito mais baratas como os créditos pessoais sem finalidade. É necessário ter cuidado com os saldos em dívida dos cartões. Muitos utilizadores  querem tirar vantagens de vários cartões diferentes e podem acumular dívidas que estão  sujeitas a comissões e juros elevados. Se não consegues liquidar as dívidas de todos os cartões,  não é aconselhado ter vários. 

Uma boa prática de uso destes cartões é não utilizá-los próximo do limite (plafond),  para reduzir a probabilidade de cair no incumprimento do pagamento no final do mês. Este  incumprimento aumenta os juros e comissões, tornando esta ferramenta numa forma de  crédito com um custo muito elevado. 

Muitos utilizadores  querem tirar vantagens de vários cartões diferentes e podem acumular dívidas que estão  sujeitas a comissões e juros elevados.

Krish Mohanlal

Conclusão

Os cartões de crédito não são, por si só, bons ou maus, tudo depende da forma como  são utilizados. Quando usados com responsabilidade, podem ser uma ferramenta financeira vantajosa, permitindo acesso rápido a crédito, pagamentos seguros e benefícios como  cashback e períodos sem juros. No entanto, a má utilização, o recurso frequente a cash  advance ou o pagamento parcial das faturas pode transformar o cartão numa dívida difícil de controlar, com custos elevados associados. 

Por isso, a chave está no uso consciente: comparar custos antes de contratar, controlar  os gastos, evitar utilizar o limite máximo e garantir o pagamento integral sempre que  possível. Com hábitos financeiros saudáveis, o cartão de crédito deixa de ser um risco e passa  a ser um aliado na gestão do orçamento pessoal. 

Com hábitos financeiros saudáveis, o cartão de crédito deixa de ser um risco e passa  a ser um aliado na gestão do orçamento pessoal. 

Krish Mohanlal

Krish Mohanlal, Manager no departamento financeiro da ISCAL Junior Business Solutions.

Artigo escrito no âmbito da parceria com a ISCAL Junior Business Solutions.