Não são propriamente as cores nacionais, mas não ficaria nada mal.

João Correia e Rui Pinto, unidos pela paixão pelo automobilismo e pelo desejo em colocar Portugal no mapa da Fórmula 1, idealizaram a Correia Racing. Com uma visão corajosa e um orçamento inicial de mais de 95 milhões de euros, a dupla aspirava construir mais do que uma equipa de “cavalos” de corrida, nomeadamente uma representação nacional de excelência e inovação.

A Missão:

Este empreendimento procurava promover Portugal e incentivar a tecnologia e engenharia do país. Através de parcerias estratégicas e valores compartilhados, buscavam destacar o potencial nacional no cenário internacional.

Como estava distribuído o orçamento?

Com um plano detalhado e interesse inicial dos investidores, o projeto Correia Racing era composto por 4 fases orçamentais:

  • Fase 1 - Garantir 25-30% do orçamento (com retorno de pelo menos 40% do investimento em 3 meses);

  • Fase 2 - Alcançar 60-70% do orçamento (retorno total em 9 meses);

  • Fase 3 - Atingir 85-90% do orçamento e iniciar conversas com a FIA;

  • Fase 4 - Garantir o orçamento restante e formalizar a inscrição na FIA.

Uma das estratégias de retorno para os financiadores, consistia na elaboração de um documentário que iria relatar o percurso da equipa, de modo a não só  destacar o espírito competitivo da equipa e também inspirar uma nova geração de talentos automobilísticos em Portugal. Além disso, procurando iniciar conversações com a Galp e a Parkalgar – 2 entidades participantes de um projeto de eficiência energética e parceiras do Autódromo Internacional do Algarve que sediou o grande prémio de F1 em 2020.

Divisão do orçamento estimado para a primeira época da equipa.

Mas é possível uma empresa de pequenas dimensões entrar na F1 e competir com os grandes tubarões?

Embora seja difícil, é possível, como aconteceu em 2009 com a Brawn GP  quando o seu principal patrocinador (a Honda) retirou-se à última da hora do desporto, vendendo  a equipa por 1£. Este orçamento reduzido (cerca de 100 milhões de dólares) esteve dependente do CEO da Brawn GP fazer tudo ao seu alcance e utilizar todos os seus recursos para assegurar as parcerias necessárias para ser competitivo em 2009.

Apesar disso, destaca-se como, atualmente mesmo as equipas de F1 menos competitivas necessitam de obter cerca de 50 milhões de dólares em patrocínios, devido à receita central da F1, uma vez que o novo teto de custos e o aumento da lucratividade têm tornado as equipas mais atraentes para investidores. Por exemplo, a Redbull recusou uma oferta de mil milhões pela AlphaTauri, 5 vezes mais do que valia em 2020.

A Haas F1 Team é o caso mais recente da formação de uma equipa de F1 de raiz que se tem aguentado no desporto há 10 anos, sem vitórias ou pódios alcançados. Ainda assim, enfrentam o risco de ficar para trás devido ao sub-investimento, mesmo com a oportunidade favorável que a F1 oferece atualmente. O seu proprietário, Gene Haas, tem de decidir entre maximizar o investimento na equipa ou vendê-la a alguém que o fará.

O Calcanhar de Aquiles

A relutância das empresas portuguesas em financiar um empreendimento tão ambicioso e as mudanças nos regulamentos da Fórmula 1, que exigiam uma taxa de inscrição de 200 milhões de euros, tornaram-se barreiras intransponíveis, e nem mesmo os 135 postos de emprego que seriam gerados (75% dos quais seriam portugueses) foram incentivo suficiente para potenciais investidores.

E Tudo o Túnel de Vento Levou

Apesar do apoio inicial e da determinação em provar que era possível, a Correia Racing foi forçada a suspender o seu projeto em 2019. O ambiente financeiro e regulatório desfavorável demonstrou os desafios enfrentados por iniciativas privadas no competitivo mundo da Fórmula 1.

Ainda assim, o legado da Correia Racing permanece como um testemunho do espírito empreendedor e do talento português, mesmo através das fantasy leagues de F1, mantendo viva a esperança de futuros projetos no cenário automobilístico internacional.

Agora, João Correia afirmou que irá lançar ainda este ano um livro que relata a história deste empreendimento.

Artigo, adaptado, originalmente escrito na edição semanal da nauta do dia 16 de março de 2024.