A inflação é um dos conceitos económicos mais falados dos últimos anos, mas também um dos menos compreendidos. Para muitos jovens, surge apenas como uma palavra repetida nas notícias ou associada ao aumento do custo de vida. No entanto, perceber a inflação é essencial para compreender o porquê de o dinheiro parecer sempre menos, porque sobem os preços e como isso influencia decisões do dia a dia.

Perceber a inflação é essencial para compreender o porquê de o dinheiro parecer sempre menos, porque sobem os preços e como isso influencia decisões do dia a dia.

Rodrigo Ferreira

De forma simples, a inflação corresponde ao aumento generalizado dos preços de bens e serviços ao longo do tempo. Quando isso acontece, o dinheiro perde poder de compra. Isto significa que, com o mesmo valor, passamos a comprar menos do que anteriormente.

Um exemplo claro pode ser observado nos combustíveis. Em 2010, com 50 euros era possível comprar cerca de 45 litros de gasóleo em Portugal. Atualmente, com preços próximos dos 1,97 euros por litro, os mesmos 50 euros permitem adquirir apenas cerca de 25 litros. Ou seja, com o mesmo montante compram-se menos 20 litros do que há cerca de quinze anos. O dinheiro é o mesmo, mas “vale menos”.

É por isso que muitos economistas descrevem a inflação como um “imposto invisível”. Não aparece numa fatura nem é cobrada diretamente por uma entidade específica, mas reduz silenciosamente a capacidade financeira das famílias, empresas e consumidores.

Muitos economistas descrevem a inflação como um “imposto invisível”. Não aparece numa fatura nem é cobrada diretamente por uma entidade específica, mas reduz silenciosamente a capacidade financeira das famílias, empresas e consumidores.

Rodrigo Ferreira

A inflação é sempre negativa?

Nem sempre. Quando se mantém em níveis moderados e controlados, a inflação é considerada normal numa economia saudável. O Banco Central Europeu define como objetivo uma inflação próxima de 2% no médio prazo, precisamente por considerar esse nível compatível com crescimento económico e estabilidade de preços.

Uma inflação moderada incentiva consumo, investimento e atividade económica. Empresas investem mais facilmente, famílias adiam menos decisões de compra e o mercado tende a funcionar com maior dinamismo.

O problema surge quando a inflação acelera demasiado ou permanece elevada durante muito tempo. Nesses casos, os salários podem não acompanhar os preços e o poder de compra diminui de forma mais significativa.

Uma inflação moderada incentiva consumo, investimento e atividade económica. Empresas investem mais facilmente, famílias adiam menos decisões de compra e o mercado tende a funcionar com maior dinamismo.

Rodrigo Ferreira

O caso português

Em Portugal, a inflação ganhou especial destaque nos últimos anos. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, Portugal registou uma taxa média de inflação de 7,8% em 2022, valor bastante superior ao habitual. Nos anos seguintes, o ritmo abrandou, aproximando-se novamente de níveis mais moderados.

Apesar dessa desaceleração, muitos preços mantiveram-se elevados. Isto acontece porque uma inflação mais baixa não significa que os preços descem. Significa apenas que continuam a subir, mas a um ritmo menor.

Para os jovens portugueses, isto sente-se especialmente em áreas como combustível, alimentação, habitação e lazer, setores com peso relevante no orçamento mensal.

Portugal e a Europa

Portugal não esteve sozinho neste fenómeno. Espanha, Alemanha e outros países europeus também enfrentaram picos inflacionistas recentes, muito influenciados pelos custos energéticos, perturbações nas cadeias de abastecimento e contexto geopolítico internacional.

Ainda assim, comparar países mostra uma realidade importante: embora a inflação seja global, o impacto sentido por cada população depende dos salários médios, nível de poupança e custo de vida local. Ou seja, a mesma taxa de inflação pode pesar mais num país com rendimentos mais baixos.

Porque é importante para os jovens?

Para quem está a iniciar carreira, poupar, tirar carta, comprar carro ou pensar em sair de casa, a inflação tem impacto direto. Quando os rendimentos crescem menos do que os preços, torna-se mais difícil acumular capital e planear o futuro.

Perceber este conceito ajuda também a tomar melhores decisões financeiras: negociar salário, gerir despesas, comparar preços e proteger poupança.

Para quem está a iniciar carreira, poupar, tirar carta, comprar carro ou pensar em sair de casa, a inflação tem impacto direto. Quando os rendimentos crescem menos do que os preços, torna-se mais difícil acumular capital e planear o futuro.

Rodrigo Ferreira

Conclusão

A inflação pode parecer um tema distante, mas está presente em quase todas as decisões económicas do quotidiano. Está no depósito do carro, nas compras do supermercado, na renda da casa e no valor real do salário ao final do mês.

Quando controlada, pode ser sinal de uma economia dinâmica e saudável. Quando excessiva, transforma-se num dos maiores desafios para famílias e empresas.

No fundo, compreender a inflação não serve apenas para perceber economia. Serve para compreender melhor o valor do nosso próprio dinheiro.

Rodrigo Ferreira, Presidente da ISCAL Junior Business Solutions.

Artigo escrito no âmbito da parceria com a ISCAL Junior Business Solutions.