O Natal em Portugal ficou mais caro ao longo das décadas, sobretudo devido à inflação dos alimentos, da energia e dos bens de consumo, mesmo quando se ajustam os valores ao poder de compra atual. Ao mesmo tempo, os hábitos mudaram: as famílias tendem hoje a gastar mais no total, mesmo oferecendo menos presentes; e exercem maior controlo do orçamento.​

Quanto custava o Natal?

Em 1980, uma ceia simples com bacalhau, batata, couves, pão e alguns doces custava apenas uma fração do salário médio. Muitos produtos eram considerados “de luxo” e comprados apenas em pequena quantidade. Usando simuladores de inflação, grande parte desse cabaz, atualizado, pode hoje equivaler a algumas dezenas de euros, mas com um peso relativamente menor em energia e eletricidade do que em 2025.

Em 2000, com a introdução do euro, o consumo aumentou. Generalizaram-se os hipermercados e as marcas internacionais low-cost. Passou a haver uma oferta mais ampla de brinquedos e de eletrónica, elevando a fatura total do Natal. Já em 2025, alguns estudos apontam para gastos médios próximos de ou acima de 390 euros por família, impulsionados pela subida generalizada de preços. Estes valores assemelham-se aos de 2024.

O impacto da inflação no Natal

Segundo a Deco, o preço de um cabaz típico de Natal subiu cerca de 10% apenas entre 2022 e 2023, ilustrando como a inflação encarece rapidamente a ceia. Ao mesmo tempo, os custos de energia para aquecimento, iluminação e confeção da comida aumentam o peso das faturas de dezembro face a décadas anteriores.

Nos presentes, os portugueses dizem gastar mais dinheiro, mas oferecer menos itens, reduzindo a lista de pessoas e escolhendo produtos mais úteis, ou optando por oferecer  experiências. Esta pressão leva muitas famílias a planear melhor as promoções, a antecipar as compras e a recuperar formas de Natal mais simples e partilhadas.