
O nosso estagiário armou-se em José Milhazes e foi explorar as fragilidades da economia russa.
No início de junho do ano passado, a Ucrânia lançou um ataque sem precedentes contra bases aéreas profundas no interior da Rússia, utilizando 117 drones, que custam menos de mil dólares cada. Lançados a partir de contentores ocultos em camiões, os drones contornaram as defesas antiaéreas russas e danificaram 41 bombardeiros russos, em bases aéreas desde Murmansk (perto da Finlândia) a Irkutsk (no interior da Sibéria), causando danos estimados em 7 mil milhões de dólares.
Desde então conhecida como Operação Teia de Aranha (do inglês Spiderweb), esta ofensiva tornou-se lendária. Mostrou uma nova era da guerra, com uma forma inovadora de guerrilhar via drones.. e mostrou que a impenetrável Rússia está, de facto, vulnerável.
Os drones foram eficazes, mas a Rússia está exposta a uma ameaça ainda maior: o colapso da sua economia.
Desde o final de 2024, a economia russa tem vindo a desacelerar significativamente, passando de um crescimento anualizado de cerca de 5% para perto de zero.
Após três anos de expansão impulsionada pela militarização, altos preços das matérias-primas e forte investimento público, a chamada "transformação estrutural" da economia de guerra parece ter acabado. Este abrandamento é agravado por uma política monetária agressiva, com taxas de juro a 21% (!) para conter uma inflação persistente, e por condições externas desfavoráveis, como o abrandamento económico da China.
Putin consegue vislumbrar uma possível saída do fundo do poço – o alívio das sanções após um cessar-fogo na Ucrânia. Trump já manifestou abertura neste sentido. Mas o que Putin precisa é do alívio das sanções europeias. Enquanto o comércio entre russos e americanos é relativamente reduzido, a economia russa depende da boa vontade da Europa para comprar petróleo, gás e outros recursos, para aceder a tecnologia, investimento estrangeiro, sistemas bancários internacionais; e também para receber os seus oligarcas endinheirados.
Sanções são penalizações económicas impostas por países ou organizações para pressionar governos ou outras entidades a mudar comportamentos, ou para desincentivar políticas internas ou externas, sem recorrer à força militar. As sanções podem incluir restrições ao comércio, congelamento de ativos, proibição de investimento ou bloqueio de transações financeiras, resultando em efeitos significativos nas economias visadas; mas também nas populações civis.
As sanções comerciais geralmente consistem em restrições ao comércio com um, ou mais, países. O tipo mais comum são restrições à exportação e importação, sendo o embargo (proibição geral do comércio) o tipo de sanção mais grave. As tarifas e os contingentes comerciais também podem ser utilizados como sanções comerciais.
Enquanto a Europa mantiver as sanções e o congelamento de ativos financeiros russos, a Rússia está numa posição de vulnerabilidade, mesmo com a atual inflação no valor do petróleo (que ajuda a economia Russa).
E, mesmo que Trump levante as sanções americanas sobre a Rússia, será que os europeus podem se dar ao luxo de fazer o mesmo? Isso seria cometer os erros do passado, arriscando confiar num regime que ameaça diretamente as fronteiras europeias.
Agora, após o encontro de Trump com Xi Jinping em Pequim, onde o líder da China terá sugerido que Putin poderá arrepender-se após o conflito com a Ucrânia, sobra a questão: vale a pena iniciar uma guerra?
Trump provavelmente está a perguntar-se o mesmo.
Artigo, adaptado, originalmente escrito na edição semanal da nauta do dia 14 de junho de 2025.





