29 de Novembro de 2025

Boa tarde, coisinha sexy!
Nesta semana escrevemos sobre os ataques à NVIDIA, sobre as alterações ao Orçamento do Estado e sobre o empreendedorismo aeroespacial em Portugal.
Vamos lá!
PSI 0,67% | STOXX600 2,01% | S&P500 4,42% | NASDAQ 5,49% |
EUR/USD 0,69% | OURO 4,17% | CRUDE 0,74% | BITCOIN 2,06% |
NVDA -2,25% | TSLA 7,27% | AAPL 4,89% | GOOG 7,69% |
Dados obtidos às 13:25 do dia 29 de novembro de 2025. Definições no final da nauta.
MERCADOS FINANCEIROS
Praça do Comércio

O cerco à NVIDIA aperta: Google, investidores céticos e Michael Burry atacam!
As grandes empresas costumam ter um “fosso” capaz de proteger o seu modelo de negócios dos mais variados ataques e invasores. Em agosto de 2024 escrevemos sobre o fosso da NVIDIA, que tem duas dimensões:
Hardware, na forma de GPUs avançadas capazes de alimentar os novos modelos de Inteligência Artificial (IA);
Software, na forma da plataforma CUDA que ajuda as GPUs da NVIDIA a processar de forma mais eficiente.
É por causa deste fosso bidimensional que a NVIDIA é a maior empresa cotada do planeta, a grande vencedora da revolução da IA!
Mas nada é para sempre…
Há uma outra gigante tecnológica que tem uma arma secreta para ultrapassar o fosso: a Alphabet, dona da Google. E a arma secreta é a integração vertical. Nós explicamos:
Ao contrário da NVIDIA, a Google procura integrar toda a cadeia de produção dos modelos de IA dentro do seu grupo. Isto implica produzir os chips e processadores necessários, desenvolver um software para os acelerar, obter os dados para alimentar as IAs e eventualmente treinar os modelos mais avançados.
Na prática, a integração vertical da Google fica assim:
Hardware, chips e processadores - são os TPUs (do inglês Tensor Processing Unit) criados de raíz para alimentar aplicações de inteligência artificial.
Software - a biblioteca TensorFlow para o desenvolvimento de IAs e outros algoritmos de aprendizagem automática, criada pela antiga Google Brain.
Dados - todos sabemos como é que a Google obtém os nossos dados…
Treino de modelos de IA - a antiga DeepMind foi co-fundada em 2010 por Demis Hassabis e adquirida pela Google em 2014 por cerca de 400 milhões de dólares. Depois da fusão com a Google Brain formou-se então a Google DeepMind que é a “cara” da IA nesta integração vertical. E com resultados demonstrados, pois em 2024 Demis Hassabis partilhou um Nobel da Química por avanços alcançados pela inteligência artificial da Google DeepMind.
Porém, esta integração vertical ainda não tinha produzido os ganhos desejados… até esta semana! É que a Meta, dona do Facebook, parece estar interessada nas TPUs da Google para os seus data centers e, consequentemente, as ações da NVIDIA caíram 4%. A Google está a começar a ultrapassar o fosso.
Ao mesmo tempo, a NVIDIA vê-se obrigada a responder a investidores céticos que acusam a empresa de financiar os seus próprios clientes (normalmente empresas a derramar dinheiro todos os meses, como a OpenAI) para que comprem os seus chips, alegadamente inflacionando assim a sua suposta procura.
O ataque final vem de Michael Burry, que já tinha apostado contra a NVIDIA. Agora, o investidor lançou uma newsletter onde irá detalhar as suas teses sobre a bolha da IA. Custará “apenas” 379 dólares por ano.
Medicamentos, quedas & subidas - a farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk continua a escorregar, atingindo baixas de quatro anos. Contrariamente, a rival americana Eli Lilly atingiu uma capitalização de 1 bilião de dólares, a primeira farmacêutica a alcançar a marca.
No nosso retângulo… e por falar na indústria da saúde, a Sword Health voltou a fazer bom negócio através de um novo acordo com o Governo da Grécia para digitalizar o SNS Grego via IA.
Apesar dos sucessos recentes, a Sword Health, um dos unicórnios “portugueses”, não pretende entrar na bolsa. Diz o CEO que “gerir uma empresa cotada em bolsa parece ser terrivelmente aborrecido” e que o maior desafio ao crescimento da empresa não é o financiamento, mas sim atrair talento. Com um 2,1 em 5, na avaliação de empregos da Teamlyzer, e uma taxa de recomendação de 39%, não admira.
Também no nosso retângulo: o grupo italiano MFE (do inglês Media for Europe) terminou a operação de entrada de capital no Grupo Impresa (Expresso e SIC), ficando com a participação de 32,9% por 17,3 milhões.
ECONOMIA
Habemus OE2026!
O Orçamento de Estado para 2026 foi aprovado esta quinta-feira.
O OE2026 foi aprovado na votação final global, com várias adendas: 163 novas medidas, 122 das quais são da oposição.
Entre as alterações destacam-se o fim de portagens em pórticos da A6 e A2 para residentes e empresas, o reforço de 1,6 milhões de euros para o Tribunal Constitucional, e a manutenção do congelamento das propinas no próximo ano letivo.
Pelo caminho, ficou um aumento adicional permanente nas pensões. No OE2026 fica apenas o compromisso de um suplemento extraordinário, que estará dependente da evolução da execução orçamental e das respetivas tendências em termos de receita e de despesa.
O Executivo projeta que a economia cresça 2,3% em 2026 em relação a 2025, depois de uma variação do PIB de 2% prevista para este ano.

CANTINHO DO EMPREENDEDORISMO
🛩️ Tekever na vigilância das águas - A Tekever garantiu um contrato de 30 milhões de euros com a Agência Europeia de Segurança Marítima para vigilância das águas europeias através de drones AR5. O acordo, válido por dois anos e extensível até quatro, inclui o fornecimento de dois sistemas aéreos não tripulados para apoiar operações de controlo de pescas, busca e salvamento e proteção ambiental.
🚀 Space Rider a aterrar nos Açores - A ilha de Santa Maria, nos Açores, servirá como local de aterragem do Space Rider, o veículo orbital reutilizável europeu com voo inaugural previsto para 2028. Este marco impulsiona a criação do Santa Maria Space Hub, um investimento de 15 milhões de euros em 2027 que transformará a ilha num polo espacial multifacetado com capacidades de lançamento, retorno e processamento de missões espaciais.
👶 Usawa Care facilita o acesso a pediatras - A startup portuguesa Usawa Care venceu os Global eAwards 2025 e recebeu 100 mil dólares da NTT DATA Foundation pela sua solução de telemedicina pediátrica, que combina tecnologia, IA e um modelo clínico próprio. Através de uma plataforma via WhatsApp, oferece consultas rápidas e ilimitadas com pediatras, com diagnóstico, prescrições, e acompanhamento infantil validados clinicamente. A startup prepara agora a expansão para a geriatria e para novos mercados internacionais.
A ACONTECER
🇬🇧 🧨 God Save the King - O Brexit poderá ter causado muito mais danos à economia britânica do que inicialmente previsto. Como noticia a Bloomberg, um grupo de especialistas económicos argumenta que a saída do Reino Unido da União Europeia causou uma quebra do PIB per capita britânico de entre 6% a 8%. Este impacto foi aumentando gradualmente, com a introdução de barreiras comerciais e de incerteza económica. A produtividade, o emprego e o investimento foram os fatores mais afetados.
Rapidinhas
O Conselho de Finanças Públicas revelou que a maioria das empresas do Estado dá prejuízo e que 35 estão em falência técnica.
Pela primeira vez, o preço das casas em Portugal ultrapassou os dois mil euros por metro quadrado, segundo os dados do INE.
A idade da reforma irá subir para os 66 anos e 11 meses em 2027.
A partir de abril de 2026, Portugal passará a ter um sistema de recolha, registo e reciclagem das embalagens, que dará um reembolso de 10 cêntimos por cada embalagem entregue.
A capital de risco portuguesa Faber co-liderou uma ronda de 2,2 milhões de euros na britânica Ponda, que desenvolve o BioPuff, um biomaterial isolante térmico de origem vegetal através da cultura da planta Typha.
Os habitantes da Madeira e dos Açores vão poder solicitar o reembolso das passagens aéreas para o Continente através de uma nova plataforma que reduz o tempo de reembolso para dois dias.
O Governo de Nicolás Maduro revogou as autorizações de tráfego aéreo da TAP e de outras companhias aéreas, alegando razões políticas.
A empresa de tecnologia Luxus lançou dois fundos de investimento dedicados às malas de luxo Birkin e Kelly da Hermès.
Os EUA estão a preparar a proibição da maioria dos produtos com THC derivado de cânhamo a partir de 2026. A nova lei estabelece um limite de 0,4 mg de THC por embalagem.
O Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), liderado por Elon Musk, foi discretamente desmantelado antes do fim do seu contrato com o Governo dos EUA.
NAUTA DA SEMANA
Critical Software
A Airbus e a portuguesa Critical Software juntaram-se para criar a Critical FlyTech, uma joint venture dedicada ao desenvolvimento de software aeroespacial que arranca no início de 2026. A operação nasce do MoU assinado em junho e descola com 120 engenheiros, com objetivo de chegar aos 300 até 2028. Para a Airbus, que já emprega mais de mil pessoas em Portugal, é mais um investimento que confirma que apesar do país não fazer aviões (por agora), faz muito do que os mantém no ar.
🛫 O que é a Critical FlyTech?
Com “torre de controlo” em Coimbra e um “gate” extra em Lisboa e no Porto, a Critical FlyTech é um centro de excelência em software de alta garantia, o tipo de código que não pode dar erro aos 30 mil pés. A empresa vai desenvolver sistemas de aviação, conectividade, software certificável e soluções para missões críticas, combinando a escala da Airbus (51%) com a agilidade da Critical Software (49%). Em resumo: é aqui que se constrói o cérebro dos aviões, dos satélites e de tudo o que precisa de aterragem suave… ou nunca tocar no chão.
🛬 O impacto no futuro
A nova empresa reforça o papel de Portugal no mapa da digitalização aeroespacial, num momento em que a Airbus procura parceiros nacionais para programas como o Eurofighter. Para a Critical Software, é mais um passo na sua rota por setores críticos, depois de projetos como o consórcio europeu BEAST e a joint venture com a BMW. Se cumprir o plano de voo, a Critical FlyTech pode tornar-se um dos hubs que vai escrever, linha a linha, o software que define o futuro da aviação. E sem turbulência, prometem eles.
RECOMENDAÇÃO
5 lições do melhor investidor de sempre
Se achas que perdeste o comboio da Berkshire Hathaway, tem calma que não foste só tu…
Mas com o fim da era de Warren Buffett, CEO da Berkshire Hathaway, encontramos um vídeo que resume alguns dos seus conselhos que continuam a ser valiosos. Assim, podes evitar perder o próximo comboio que aí vier!
ABC DO DINHEIRO
Ciclo Económico
O ciclo económico é a sequência recorrente de fases que a atividade económica atravessa, ao longo do tempo. A economia alterna entre períodos de expansão, períodos de estagnação, e períodos de recessão ou contração. O movimento económico cíclico resulta de fatores como variações na oferta e na procura, políticas fiscais, alteração dos níveis de investimento, e choques externos.
No adeus desta edição queremos relembrar-te de que a teu portefólio de investimentos, tal como o ciclo económico, terá períodos de tempestade e períodos de bonança. Por isso, segue os conselhos de Warren Buffett e chegarás a bons portos, mesmo durante as piores marés!
Qualquer feedback construtivo é muito bem vindo em
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Memes


As cotações apresentam os resultados semanais dos ativos referenciados. As quatro primeiras são índices que combinam os desempenhos de conjuntos de empresas. O PSI é o índice português, o STOXX600 é o índice das 600 maiores empresas europeias, o S&P500 e o NASDAQ são ambos dos EUA. As seguintes quatro são mercadorias e moedas. EUR/USD é o câmbio entre o euro e o dólar americano, ouro e crude dizem respeito aos contratos contínuos de ambos, e bitcoin é a mais popular criptomoeda (em euros).
As quatro últimas são ações de empresas que tiveram desempenhos notáveis durante a semana. Nesta semana temos NVDA para a NVIDIA, TSLA para a Tesla, AAPL para a Apple e GOOG para a Alphabet, dona do Google.
A nauta é uma newsletter semanal sobre a atualidade económica, financeira e empresarial, escrita em língua portuguesa. Não é jornalismo nem consultoria financeira, mas uma oportunidade para aprofundares os teus conhecimentos nestes temas e acompanhares o essencial do mundo dos negócios e mercados financeiros.
Escrita por João Ornelas Raínho, Mário de Pinto Balsemão e Nuno Martins,
com a colaboração de Cristina Berenguer.





