
O direito das mulheres para aceder aos produtos financeiros em condições de igualdade é um fenómeno relativamente recente. Por exemplo, apenas em 1975 é que o Reino Unido permitiu que as mulheres casadas abrissem uma conta bancária (e apenas com a autorização dos seus maridos).
Apesar dos progressos a nível mundial, continuam a existir obstáculos. Existem 115 economias onde as leis impedem as mulheres de gerir um negócio da mesma forma que os homens. Mais de 100 países têm, pelo menos, uma lei que restringe as oportunidades económicas das mulheres.
No ano passado, para assinalar o Dia Internacional da Mulher, a nossa estagiária decidiu destacar o percurso de mulheres poderosas no sector financeiro. Desde a concessão de direitos legais até à entrada das mulheres em todos os níveis das instituições financeiras modernas, evidenciamos algumas das pioneiras e líderes mais proeminentes.
Janet Hogarth (1865-1954) foi a primeira superintendente de mulheres escriturárias num banco do Reino Unido em 1894. Nesta altura, as mulheres eram obrigadas a utilizar uma entrada separada dos empregados do sexo masculino e a demissão após o casamento era obrigatória.
Maggie Walker (1864-1934) foi a primeira mulher afro-americana nos Estados Unidos da América (EUA) a fundar e a ser presidente de um banco. Depois de ser forçada a demitir-se do seu cargo de professora por se ter casado, Walker fundou o St Luke's Penny Savings Bank, uma forma de investimento afro-americano no sul dos EUA pós-guerra civil.
Hilda Harding (1915-1998) foi a primeira mulher gerente de um banco no Reino Unido. Em 1934, entrou para o Barclays, antes de subir na hierarquia e promover outras mulheres.
Janet Yellen possui uma carreira histórica nas áreas financeira, económica e de políticas públicas, sendo uma das figuras-chave da economia global no final do século XX e início do século XXI. Foi presidente do Conselho de Conselheiros Económicos da Casa Branca durante o mandato de Bill Clinton e presidente do Conselho da Reserva Federal durante o mandato de Barack Obama, antes de se tornar a 78.ª Secretária do Tesouro durante o mandato de Joe Biden. Foi a primeira pessoa (!) a desempenhar as três funções.
Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu, foi Diretora-Geral do Fundo Monetário Internacional durante um período extremamente turbulento da economia mundial. Antes disso, tinha sido Ministra da Economia e das Finanças de França. Foi a primeira mulher a desempenhar cada um destes cargos, e a primeira mulher a ser Ministra das Finanças de um país do G7. Foi também a nossa nauta do ano 2024.
Funlola (Ogunkoya) Ayebae fundou a Black Women in Finance, em 2017. O seu trabalho centra-se no alargamento do acesso das mulheres negras às finanças, e também no incentivo e apoio para as ajudar a construir as suas carreiras. Através de uma carreira que abrangeu o Barclays, a Goldman Sachs e agora o JP Morgan como Cobertura da África Ocidental, foi nomeada na lista Forbes 30 Inspirational Women of 2021.
Alison Rose foi a primeira mulher a liderar uma instituição de crédito no Reino Unido e foi ainda CEO do NatWest Group de 2019 a 2023, uma holding britânica de bancos e seguros. Rose foi fundamental na liderança desta organização, sendo uma grande defensora de questões relacionadas com género. É co-líder do Rose Review Board, que se centra nos desafios exclusivos das mulheres empresárias quando criam e expandem empresas.
Victoria Rodriguez Ceja é a primeira mulher governadora do Banco do México, cargo que assumiu no início de 2022. É uma economista com mais de 20 anos de experiência no sector público, e, agora, vê-se na difícil tarefa de contrariar a guerra comercial dos EUA contra o seu país.
Artigo, adaptado, originalmente escrito na edição semanal da nauta do dia 8 de março de 2025.




