O sul da Europa está cada vez mais competitivo em termos económicos. A bolsa espanhola bater recordes é também um sintoma de uma nova riqueza encontrada nas latitudes de Portugal, Espanha, Itália e Grécia: energia solar.
Estes 4 países, em piores tempos chamados de PIGS (Portugal, Italy, Greece, Spain, do inglês para Porcos), têm agora a possibilidade de desenvolver inúmeras centrais fotovoltaicas e oferecer assim energia barata às suas economias.
Se em tempos a indústria europeia ficou concentrada na Banana Azul, como é chamado o eixo entre Liverpool e Milão, a verdade é que a guerra na Ucrânia e subsequentes transformações das ligações de gás natural à Europa comprometeram o status quo.

O mapa da Banana Azul, a megalópole da Europa.
Agora, com a transição energética em curso e a eletricidade barata no sul da Europa, a maquinaria pesada industrial tem cada vez mais como destino o território dos PIGS. A mão de obra mais barata também ajuda. O crescimento económico é no sul da Europa.
E não há exemplo melhor que a Espanha, onde a energia fotovoltaica já lidera a capacidade instalada de potência! Porém, a tradicional má gestão dos PIGS teima em permanecer instalada…
É que instalar painéis solares fotovoltaicos numa terra onde o sol abunda é fácil, difícil é preparar a rede elétrica para transportar a eletricidade gerada nos painéis (sujeita à intermitência do sol e das nuvens, por exemplo) para os consumidores. E é precisamente nisso onde o Governo Espanhol tem falhado.
O Governo Espanhol investiu 0,30 dólares na rede elétrica por cada 1 dólar investido em energias renováveis, tornando-o o país mais forreta europeu em termos de investimentos na rede (a média está nos 0,70 dólares). Assim, a rede elétrica, que precisa de geradores e baterias de última geração para acompanhar o crescimento exponencial das renováveis, ficou para trás. O Governo culpou o operador de rede do Apagão de Abril, mas o relatório dos especialistas ofereceu uma versão diferente.
Outro problema é que a grande oferta de energia solar está a prejudicar os produtores, pondo em causa o modelo de crescimento que tem resultado até agora.
Ou seja, a Espanha, uma das líderes mundiais em energia solar, está a sofrer devido ao seu grande sucesso na transição energética e simultânea má gestão da rede elétrica.
O potencial, e a capacidade instalada, já lá estão, o que falta é boa gestão.

Artigo, adaptado, originalmente escrito na edição semanal da nauta do dia 16 de agosto de 2025.





