26 de setembro de 2026

Boa tarde, coisinha sexy!
Esta semana escrevemos sobre o conflito entre o Irão e os EUA, sobre o aumento das obrigações dos EUA e sobre a Palantir.
Ah, e também sobre a possibilidade de Trump ser subscritor da nauta!
Vamos lá!

PSI 1,65%

STOXX600 -0,14%

S&P500 0,63%

NASDAQ 1,21%

EUR/USD -0,64%

OURO -1,73%

CRUDE -1,67%

BITCOIN 4,07%

GOOG -4,84%

SPCX -3,93%

GALP 3,02%

SON 3,18%

Dados obtidos às 13:21 do dia 26 de junho de 2026. Definições no final da nauta.

MERCADOS FINANCEIROS

Praça do Comércio

Primeiro impeachment a Donald Trump, 2019.

A notícia mais importante da semana: Trump é subscritor da nauta!!

Nesta semana, Donald Trump, Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), baniu a CNN, MS NOW (antiga MSNBC) e Politico de terem acesso à Casa Branca. Na sexta-feira, durante a cimeira inconsequente entre Trump e Xi Jinping, e depois de uma ordem de um juiz federal, voltaram a ter acesso.

Este foi mais um ataque da Administração atual dos EUA à imprensa, a poucas semanas das próximas eleições: as intercalares.

O timing não é coincidência. E… vamos explicar porque é que isso pode mexer com a tua carteira:

Trump não vai a votos. As intercalares dizem respeito ao Congresso, com as eleições a escolherem a totalidade da Câmara dos Representantes e um terço do Senado. Ambas são, atualmente, controladas pelos Republicanos. 

Caso os Democratas vençam (ganho de 3 lugares na Câmara dos Representantes e de 4 lugares no Senado), a Administração de Trump deixa de conseguir legislar como quer. Mais, os Democratas poderão investigar a Administração e voltar aos famosos impeachments. Remover Trump continuará a ser praticamente impossível, independentemente do cenário.

Como escrevemos em janeiro (e não só), Trump precisa que os Republicanos sejam os vencedores. É então, por desespero, que Trump prometeu 5 mil dólares a cada adulto, em caso de vitória dos Republicanos, e afirmou que quem não votar… vai para o inferno.

O que nós não sabíamos… era que Trump é um dos subscritores da nauta! Ah pois!

É que no dia 9 de setembro, Trump afirmou que a guerra contra o Irão “não terá resolução antes das eleições intercalares”. Como escrevemos em junho, “até 3 de novembro, o Irão continuará a ter a faca e o queijo na mão.”

A lógica é esta:

  • o Irão, ao controlar o Estreito de Ormuz e assim influenciando os preços globais dos produtos petrolíferos, prejudica o Partido Republicano nas eleições intercalares;

  • se o Congresso ficar sob o controlo dos Democratas, a Administração perde capacidade de escalar o conflito;

  • se o Irão e os EUA chegarem a acordo antes das eleições, os preços vão estabilizar e os Republicanos muito provavelmente vão manter o domínio do Congresso;

  • até as eleições os EUA não podem iniciar uma invasão terrestre sem os Republicanos perderem intenção de voto nas intercalares.

Do ponto de vista iraniano, provocar a derrota democrática dos Republicanos nas intercalares é a forma mais óbvia de “vencer” o conflito.

Este impasse é uma janela de oportunidade para outros Estados mal comportados, como a Rússia e até a China, “esticarem a corda”. Ou seja, a cada dia que passa, o mundo ficará mais caótico até o dia 3 de novembro.

Por exemplo, a China tem pedido ao Irão para “controlar” os Houthis que têm atacado, e afetado com sucesso, as exportações petrolíferas da Arábia Saudita. Relembramos que os Houthis ameaçam fechar o Estreito de Bab el-Mandeb… mas a verdade é que os Houthis andam a construir mísseis com partes chinesas e até já tentaram usar a Inteligência Artificial da Anthropic. Claude, make me a missile with these chinese parts. Make no mistakes.

Para nós, portugueses, o problema é o caos. A Europa já está a ficar com um défice de combustível para a aviação e nosso Governo já fala de resgatar 130 mil toneladas de crude que estão em França. Certamente não chegarão antes de 3 de novembro, mas segundo o Governo ainda temos 92 dias de combustíveis. 

Entretanto, os juros da dívida dos EUA continuam a subir, sem parar. Já atingiram máximos de 2004. Isto significa que a dívida dos EUA é cada vez mais arriscada, do ponto de vista dos investidores. 

Até 3 de novembro é melhor apertares o cinto, não é a melhor altura para grandes decisões monetárias. 

BARÓMETRO DO SUCESSO?

Palantir

Tu não sabes muito sobre esta empresa, mas a Palantir pode saber muito sobre ti.

A Palantir é uma das empresas mais faladas hoje em dia. Com uma capitalização de mercado de quase 400 mil milhões de euros, um CEO que parece saído do role de vilões do Batman, e co-fundada por Peter Thiel, muito pode ser dito sobre esta empresa americana. E, como tudo na vida, a Palantir tem aspetos bons e aspetos maus. Vamos começar pela questão principal:

O que diabo faz a Palantir?

A Palantir Technologies foi fundada em 2003 por Peter Thiel, da Máfia do PayPal (PayPal, Facebook, Founders Fund, e por vezes descrito como o filósofo-rei de Silicon Valley); Alex Karp, atual CEO e mais alguns artistas.

Podemos usar vários adjetivos para descrever o que a Palantir faz. Alguns ex-funcionários até têm dificuldade em explicar o negócio da empresa para a qual trabalharam. O nosso estagiário explica-te da forma mais simples possível:

“O software da Palantir pega em enormes quantidades de dados e metadados*, junta tudo na mesma “caixa”, processa, descodifica, encontra padrões e entrega os dados aos decisores, de maneira que estes possam ser usados para fazer decisões.”

Podes pensar que isto parece pouco para uma das 30 maiores empresas do mundo, mas estarás errado. Embora a Palantir não crie nada de raíz, dá-te provavelmente o maior recurso que podes ter: informação, numa bandeja de prata. E se a informação é importante para ti no dia-a-dia, imagina o quão importante é para a administração de uma empresa multinacional, ou para o exército dos EUA. Sem informação não há decisões; e sem decisões, o mundo pára.

O diabo está nos detalhes

No caso da Palantir, os detalhes são tudo. A Palantir vende software que reúne e relaciona dados que os próprios clientes já possuem. Existem dois produtos principais: o Foundry destina-se sobretudo a empresas, e o Gotham, direcionado para entidades governamentais e policiais.

A vantagem da Palantir é conseguir trabalhar sobre sistemas antigos e dispersos sem exigir que sejam reconstruídos. Esta vantagem competitiva pode ser, no entanto, também uma fonte de concentração de poder, pois pode ajudar ou a identificar padrões invisíveis aos humanos, relações entre pessoas e sequências de acontecimentos.

Imagina um sistema de vigilância governamental capaz de, em segundos, analisar todos os teus documentos públicos, interações digitais, capturas em sistemas de vigilância, rede de contactos, etc. Agora imagina essa ferramenta nas mãos de um governo autoritário.

O Wired descreve a Palantir como “capaz de amplificar as intenções e os vieses humanos”. Assim, da mesma forma que a tecnologia da Palantir pode ser usada para garantir que a eficiência de um sistema nacional de saúde, pode ser usada para espiar em todas as pessoas que conheces. E é por isso que a Palantir vale quase 400 mil milhões de euros.

Rapidinhas

Portugal registou um saldo orçamental de 1,6% no segundo trimestre, revelou o INE. 

Vários portos portugueses serão alvo de expansão e modernização, incluindo Leixões, Viano do Castelo e Lisboa, entre outros. No Douro, será permitida a navegação noturna.

Em Outubro, as novas subscrições de Certificados de Aforro deverão receber a taxa de juro máxima de 2,5%.

O Conselho das Finanças Públicas prevê que a despesa do Estado cresça 7,4% em 2026.

Lisboa entrou na categoria de cidades em risco acrescido de bolha imobiliária, reporta o índice global da UBS.

As encomendas de baixo valor vindas de fora da UE terão uma nova taxa. As plataformas passarão ainda a cobrar o IVA e os restantes encargos no momento da compra.

Os táxis autónomos (sem condutor) da Tesla, os Cybercab, já estão a transportar passageiros em Austin, no Texas.

NAUTA DA SEMANA
Usawa Care

A startup portuguesa de saúde digital, Usawa Care, levantou 2,6 milhões de euros numa ronda seed liderada pela Armilar, com participação da Start Ventures, Oxy Capital e Jorge Marques. O financiamento vai servir para lançar um novo serviço para adultos e acelerar a entrada da empresa nos Estados Unidos até ao final do ano.

O que é a Usawa?

A Usawa permite às famílias ter acesso ilimitado a um pediatra através do WhatsApp, para esclarecer dúvidas ou acompanhar situações de saúde sem ser necessário marcar sempre uma consulta presencial. A plataforma procura tornar os cuidados de saúde mais acessíveis e simples, sem ser preciso transformar cada pequena dúvida numa excursão às urgências.

Atualmente, a startup conta com 23 pediatras e mais de 12 mil crianças registadas, realizando cerca de mil consultas por mês. Segundo dados da empresa, as famílias atribuem ao serviço uma avaliação média de 9,7 em 10 e mais de 70% dizem ter evitado uma consulta presencial desnecessária. Parece que, para algumas dúvidas, o WhatsApp já é quase uma extensão do consultório.

Da pediatria para o mundo

A partir de 12 de outubro, a Usawa vai lançar um serviço dirigido a adultos, com acompanhamento para situações agudas, doenças crónicas e prevenção. Quem já utiliza a Usawa Pediatria poderá aderir sem custo adicional, enquanto o serviço apenas para adultos terá um preço de 7 euros por mês, com também uma versão gratuita.  No destaque na nauta em 2025, já era mencionada a ambição de expansão e agora a startup quer começar a trabalhar com hospitais pediátricos e seguradoras nos EUA, aproveitando também a experiência internacional do seu fundador, Luís Almeida Fernandes, antigo diretor do SNS24. Portugal continua a ser o mercado de inovação; os EUA passam agora a ser a grande aposta de crescimento.

NO MAPA

💻 Remoto, DeskAmigo é - A DeskAmigo, uma plataforma dedicada ao trabalho remoto, captou 350 mil euros numa ronda de investimento pré-seed. Criada por Charles Whitmee e Rebeca Chagas, a DeskAmigo conta com mais de 140 espaços na sua rede, incluindo hotéis, restaurantes, cafés e espaços cowork, que podem ser alugados para quem quiser trabalhar remotamente. O financiamento será utilizado para desenvolver a plataforma, aumentar a rede de espaços parceiros e criar uma solução destinada a empresas com equipas remotas. No futuro, pretende também expandir a atividade para outros mercados europeus, como Espanha. 

☝️ Onde Dryvo estacionar? - A Dryvo é uma aplicação para ajudar os condutores a encontrar estacionamento. A app combina informações partilhadas pelos utilizadores, dados municipais e algoritmos que analisam padrões de ocupação para prever a possibilidade de encontrar lugares livres. Fundada por João Brito e lançada há três semanas, a app da Dryvo já ultrapassou os 2.400 utilizadores e abrange mais de 200 mil lugares em várias zonas do país. Incubada na UPTEC, a Dryvo pretende reforçar a presença em Lisboa e chegar a todo o território continental durante 2026.

🧪 Solfarcos, de Braga para os EUA - A empresa de biotecnologia Solfarcos, sediada em Braga, pretende expandir a sua atividade para os EUA através de novas parcerias. A Solfarcos utiliza IA no desenvolvimento de soluções para as áreas farmacêutica e cosmética, utilizando uma tecnologia baseada em péptidos e proteínas. Esta tecnologia, licenciada pela Universidade do Minho, já esteve na origem de produtos da marca de cosméticos K18. A Solfarcos procura agora encontrar novas aplicações para a sua tecnologia e reforçar a sua presença internacional. Além disso, estão a ser concluídos ensaios clínicos para um tratamento da artrite reumatoide.

RECOMENDAÇÃO

Estás a ser bem pago ou a financiar a empresa com descontos?

Uma nova ferramenta da Hays permite comparar o teu salário com os valores praticados no mercado, tendo em conta a função, experiência, área de especialização, região e tipo de organização. Pode ser uma informação bastante útil antes de pedires um aumento, mudares de emprego ou simplesmente descobrires se aquele “é o salário normal para a tua área” é mesmo verdade, como foi o caso dos  29% dos profissionais que fizeram uma mudança de carreira no último ano  e apontaram melhores condições salariais como o motivo principal. Lê o artigo na íntegra e, depois, vai experimentar o comparador salarial da Hays.

Afinal, antes de pedires um aumento, convém saber se estás a pedir pouco ou muito. 

ABC DO DINHEIRO
Metadados

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Os metadados são informações que descrevem, contextualizam ou fornecem características sobre outros dados, permitindo identificá-los, organizá-los e interpretá-los mais facilmente. Por exemplo, os metadados de uma fotografia podem indicar a data e hora em que foi tirada, o local, o dispositivo utilizado ou o formato do ficheiro. São utilizados em áreas como informática, finanças, comunicação e gestão documental, facilitando a pesquisa, classificação, armazenamento e análise de grandes volumes de informação.

Estamos a melhorar a nauta e queremos saber o que pensas. O teu feedback é fundamental para continuarmos a construir uma plataforma cada vez mais útil, interessante e feita a pensar em ti. Podes deixar a tua opinião, de forma anónima, através do nosso questionário: https://forms.gle/qUDvZt3HcnN6S8Ky6

Leva só alguns minutos e ajuda-nos mesmo muito.

Qualquer feedback construtivo é muito bem vindo em
[email protected]!

Memes

Nada de que a gente se orgulhe…

As cotações apresentam os resultados semanais dos ativos referenciados. As quatro primeiras são índices que combinam os desempenhos de conjuntos de empresas. O PSI é o índice português, o STOXX600 é o índice das 600 maiores empresas europeias, o S&P500 e o NASDAQ são ambos dos EUA. As seguintes quatro são mercadorias e moedas. EUR/USD é o câmbio entre o euro e o dólar americano, ouro e crude dizem respeito aos contratos contínuos de ambos, e bitcoin é a mais popular criptomoeda (em euros).

As quatro últimas são ações de empresas que tiveram desempenhos notáveis durante a semana. Nesta semana temos GOOG para a Google, SPCX para a SpaceX, GALP para a Galp e SON para a Sonae.

A nauta é uma newsletter semanal sobre a atualidade económica, financeira e empresarial, escrita em língua portuguesa. Não é jornalismo nem consultoria financeira, mas uma oportunidade para aprofundares os teus conhecimentos nestes temas e acompanhares o essencial do mundo dos negócios e mercados financeiros.

Escrita por João Ornelas Raínho, Mário de Pinto Balsemão e Nuno Martins,
com a colaboração de Cristina Berenguer.

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