O que acontece quando um grupo de estudantes decide não esperar pelo fim do curso para entrar no mundo empresarial?
Foi dessa vontade que nasceu a Junior Data Consulting. Entre projetos com grandes empresas, reconhecimentos nacionais e desafios que vão muito além da sala de aula, continuamos a descobrir até onde conseguimos chegar.
Tudo começou com a vontade de fazer mais
Em 2020, um grupo de estudantes da NOVA Information Management School (NOVA IMS) decidiu que queria ir além daquilo que aprendia nas aulas. Queria trabalhar com empresas, resolver problemas reais e perceber até onde conseguia levar os seus conhecimentos.
Foi assim que nasceu a Junior Data Consulting (JDC).
A ideia era criar uma organização onde estudantes universitários pudessem aplicar os seus conhecimentos em análise de dados a desafios empresariais, enquanto desenvolviam competências que dificilmente adquiririam apenas no contexto académico.
Na altura, ainda não existiam os clientes, os projetos ou os reconhecimentos que hoje fazem parte da nossa história. Havia uma ideia, uma equipa determinada e muito por construir.
Era preciso conquistar os primeiros clientes, aprender a gerir projetos e, acima de tudo, demonstrar que a falta de experiência profissional não significava falta de capacidade.
E isso só podia ser feito de uma forma: através do nosso trabalho.
Aprender a conquistar confiança
Os primeiros projetos marcaram o início de um percurso de aprendizagem e crescimento. Passámos a trabalhar diretamente com empresas, a compreender os seus desafios e a desenvolver soluções capazes de responder a necessidades concretas.
Desde cedo, percebemos que o verdadeiro valor da consultoria não está apenas no conhecimento técnico, mas na capacidade de o transformar em resultados. É preciso saber ouvir, fazer as perguntas certas e compreender a realidade de cada organização para encontrar a solução mais adequada.
Sabíamos que a nossa idade e a experiência profissional ainda em construção podiam levantar dúvidas. Por isso, procurámos responder com preparação, profissionalismo e, acima de tudo, com a qualidade do trabalho desenvolvido.
Foi assim, projeto após projeto, que começámos a construir o nosso percurso e a demonstrar que uma equipa de jovens consultores podia acrescentar valor às organizações.
Em 2023, a JDC alcançou um marco importante ao tornar-se oficialmente uma Júnior Empresa, integrando o Movimento Júnior Português.
Para quem não conhece, uma Júnior Empresa é uma organização sem fins lucrativos, constituída e gerida por estudantes universitários, que presta serviços a clientes reais e complementa a formação académica através da experiência prática.
Esta conquista trouxe reconhecimento, mas também novas responsabilidades. Com o crescimento da JDC, surgiram projetos mais complexos, equipas maiores e a necessidade de criar processos cada vez mais sólidos.
E há uma particularidade neste percurso: numa Júnior Empresa, as equipas estão em constante renovação.
Todos os anos, há membros que chegam, outros que terminam os seus cursos e novas pessoas que assumem responsabilidades. O desafio é garantir que o conhecimento é transmitido e que cada geração consegue dar continuidade ao trabalho da anterior.
Para o João Rodrigues, antigo Diretor de Operações da JDC e atual Tesoureiro da JE Europe, a organização que representa e reúne as confederações nacionais de Júnior Empresas a nível europeu, os dois anos que passou na JDC marcaram profundamente o seu percurso.
Tive a oportunidade de trabalhar em projetos reais, num ambiente onde o erro não era um fracasso, mas uma oportunidade de aprender e de voltar a fazer melhor.
Durante esse período, teve a oportunidade de trabalhar diretamente com clientes, gerir projetos e liderar equipas, conciliando diferentes personalidades e ambições em torno de objetivos comuns.
Hoje sinto-me mais preparado para o mercado de trabalho, não só pelas competências técnicas que desenvolvi, mas sobretudo pela maturidade e capacidade de trabalhar com outras pessoas que esta experiência me deu.
É esta combinação entre aprendizagem e responsabilidade que procuramos proporcionar aos nossos membros, enquanto continuamos a aperfeiçoar os nossos processos e a elevar os padrões de qualidade das soluções que entregamos.
Quando os desafios vão além da consultoria
Embora a consultoria em análise de dados seja o nosso principal foco, algumas das experiências mais marcantes da JDC acontecem fora dos projetos desenvolvidos para clientes.
Em 2026, assumimos a organização do X Junior Entrepreneurs National Congress (JENC), um encontro nacional que reúne estudantes de todo o país ligados ao Movimento Júnior Português.
O desafio? Organizar um evento com centenas de participantes, coordenar equipas, estabelecer parcerias e garantir que tudo funcionava como previsto.
Para a Bárbara Vitória, atual Vice-Presidente da JDC, foi uma das experiências mais exigentes do seu percurso.
Organizar o X JENC, um encontro nacional que reúne estudantes de todo o país ligados ao Movimento Júnior, foi um dos maiores desafios que enfrentei.
O resultado foi um dos maiores JENCs realizados até à data: mais de 500 participantes, 19 parceiros e 14 convidados.
Mas, por detrás destes números, houve meses de preparação, inúmeras decisões e uma equipa que teve de aprender a gerir a dimensão e a responsabilidade de um evento desta natureza.
Este desafio reforçou a importância de trabalharmos em equipa e termos a coragem de arriscar.
Hoje, enquanto Vice-Presidente, a Bárbara continua a acompanhar os membros e a contribuir para o crescimento da organização, procurando proporcionar-lhes oportunidades semelhantes às que marcaram o seu próprio percurso.
Porque fazer parte da JDC também é isto: aceitar desafios que, à partida, podem parecer fora do nosso alcance e descobrir, ao longo do caminho, que somos capazes de os concretizar.
Da sala de aula à realidade de um banco
E se organizar um congresso nacional já é desafiante, participar num projeto tecnológico para uma instituição bancária trouxe-nos um tipo diferente de exigência.
Em 2025, a JDC participou num projeto para o novobanco, contribuindo para a migração de modelos analíticos de uma infraestrutura interna para a cloud.
Num setor altamente regulado, onde a fiabilidade e o rigor técnico são fundamentais, o projeto exigia articulação entre diferentes equipas, validação rigorosa dos modelos e uma atenção constante à qualidade das soluções desenvolvidas.
Para a Beatriz Marques, atual Diretora do Departamento de Operações, que integrou inicialmente o projeto como consultora, esta experiência foi particularmente marcante.
O maior desafio foi ter de aprender tudo enquanto já estava a fazer, sabendo que a equipa contava comigo: as ferramentas, o contexto bancário e a forma de trabalhar com várias equipas, num ambiente regulado onde não havia margem para erro.
Ao longo do projeto, a Beatriz passou de consultora a Project Manager de uma das sete equipas envolvidas, assumindo responsabilidades de coordenação, acompanhamento e gestão de diferentes frentes de trabalho.
Naturalmente, um projeto desta dimensão trouxe desafios técnicos. Foi necessário analisar resultados, aperfeiçoar abordagens e trabalhar em conjunto para assegurar que as soluções respondiam aos requisitos definidos.
A exigência foi também uma oportunidade de crescimento.
Ganhei competências que dificilmente se desenvolvem numa sala de aula: aprender sob pressão, assumir a responsabilidade por um resultado real e liderar pessoas.
Para a Beatriz, um dos momentos de maior orgulho chegou quando viu os modelos a funcionar na cloud e percebeu o impacto concreto do trabalho desenvolvido.
Em 2026, o projeto foi nomeado para Projeto do Ano no Movimento Júnior Português, um reconhecimento do trabalho realizado e da capacidade de jovens consultores para contribuir para projetos de elevada complexidade.
Um ano antes, a JDC tinha também sido distinguida como Júnior Empresa Portuguesa Mais Promissora.
São reconhecimentos que nos orgulham, mas que representam, acima de tudo, uma responsabilidade: continuar a corresponder à confiança dos nossos clientes, apostando no rigor, na melhoria contínua e na excelência das nossas entregas.

Fotografia de grupo, Junior Data Consulting.
Mais do que projetos, pessoas
Os projetos e os reconhecimentos ajudam a contar a história da JDC. Mas são as pessoas que lhe dão continuidade.
Todos os anos, recebemos estudantes com conhecimentos e expectativas diferentes. Alguns têm aqui o primeiro contacto com um cliente; outros descobrem o interesse pela liderança, pela gestão de projetos ou por áreas técnicas que ainda não tinham explorado.
Para a Rita Barroso, atual Presidente da JDC, o sentimento de pertença surgiu poucas semanas depois de ter entrado na organização, durante o seu primeiro evento do Movimento Júnior Português.
Foi nesse dia que a JDC recebeu o prémio de Júnior Empresa Portuguesa Mais Promissora.
Estava na JDC há poucas semanas, ainda não tinha contribuído diretamente para aquele reconhecimento, mas senti aquela conquista como minha. Foi um dos momentos que mais me marcou e que me fez perceber que queria fazer parte daquilo que estávamos a construir.
A partir daí, começou a envolver-se cada vez mais. Apenas um semestre depois de entrar na organização, surgiu o convite para assumir a direção do Departamento Legal & Financeiro.
Assustava-me aceitar uma responsabilidade tão grande tão cedo. Mas acho que me assustava ainda mais a possibilidade de não aceitar e, mais tarde, me arrepender de não ter aproveitado a oportunidade.
Aceitou o desafio e, ao longo do mandato, teve de aprender a gerir uma equipa, tomar decisões e encontrar respostas para situações com que nunca se tinha deparado.
No final desse percurso, surgiu uma nova oportunidade: assumir a presidência da JDC.
Uma responsabilidade diferente, que trouxe também uma nova perspetiva sobre o que significa liderar uma organização de estudantes que assumem compromissos reais.
Tenho aprendido que liderar não é ter sempre todas as respostas. É saber ouvir, adaptar-me, tomar decisões e procurar dar o exemplo, sem deixar de estar disponível para as pessoas que fazem parte da JDC.
Este é apenas um dos muitos percursos que se cruzam dentro da organização.
Conciliar aulas, avaliações, projetos e responsabilidades internas nem sempre é fácil. Mas há algo que torna o esforço particularmente significativo: saber que estamos a contribuir para uma organização que começou antes de nós e que queremos deixar ainda melhor para quem vier a seguir.
Porque o impacto da JDC não se mede apenas nos resultados que entregamos aos clientes, mas também nas competências, experiências e oportunidades que proporcionamos aos nossos membros.
E agora? O que vem a seguir?
Seis anos depois, a vontade de fazer mais mantém-se. Mas a ambição é cada vez maior.
Queremos continuar a afirmar a JDC no mercado da consultoria em análise de dados, ajudando cada vez mais empresas a tirar verdadeiro partido da informação que têm ao seu dispor.
Acreditamos que os dados só criam valor quando são transformados em conhecimento e utilizados para tomar melhores decisões. É por isso que queremos continuar a desenvolver soluções que permitam às organizações organizar, interpretar e visualizar os seus dados de forma clara e acessível, otimizar processos e tornar as suas operações mais eficientes.
Seja através de dashboards interativos, automatização de processos, modelos preditivos, chatbots ou soluções de inteligência artificial, queremos aproximar a tecnologia das necessidades reais de cada empresa. Mais do que desenvolver ferramentas, queremos encontrar soluções que simplifiquem o trabalho, apoiem a tomada de decisão e criem impacto no dia a dia das organizações.
E a nossa ambição não fica por Portugal.
Queremos levar o trabalho da JDC além-fronteiras, reforçar a nossa presença internacional, construir relações com organizações e Júnior Empresas de outros países e desenvolver projetos que nos permitam chegar a novos mercados.
Ao mesmo tempo, queremos continuar a afirmar cada vez mais a posição da JDC dentro do Movimento Júnior e no setor da consultoria em dados, consolidando o reconhecimento que temos vindo a conquistar e demonstrando o valor que uma equipa de jovens consultores pode oferecer.
Sabemos que esta ambição exige uma organização cada vez mais preparada. Por isso, queremos continuar a investir nos nossos membros, na sua formação e na melhoria contínua dos nossos processos, garantindo que o crescimento é acompanhado pela qualidade e excelência das nossas entregas.
Quando olhamos para o que começou em 2020, percebemos o caminho que já percorremos. Mas, acima de tudo, vemos aquilo que ainda queremos construir.
Seis anos depois, continuamos com a mesma vontade de fazer mais. Hoje, com mais experiência, novos desafios e a ambição de levar a JDC cada vez mais longe.

Rita Barroso, Presidente da JDC
Artigo escrito ppr Rita Barroso Presidente da Junior Data Consulting, no dia 30 de outubro de 2026. Publicado no dia 4 de novembro de 2026.






